segunda-feira, 16 de maio de 2016

As rédeas do destino


A população africana irá dobrar nos próximos 40 anos. É muita gente. Será muita gente! Para um continente que tem quase 50% da população vivendo em extrema pobreza, os desafios são enormes.
Lembro-me da fome na Etiópia, quando eu ainda era adolescente. "We are the world, we are the children": bela canção, fez sucesso. O que mudou desde então? Tivemos boas e más notícias. Ups and downs
A África sofreu e sofre enormemente com a AIDS e outras doenças. A expectativa de vida no Continente caiu drasticamente desde meados da década de 80 mas começam a surgir resultados positivos.
Nos campo político e econômico a situação pouco evoluiu em muitos países, em outros andou para trás. Para Dambisa Moyo, não foi por falta de ajuda internacional que África ficou para trás. Foi principalmente, pelo excesso de ajuda. 
A ajuda internacional corresponde a cerca de 15% do PIB africano. 85% dos recursos fornecidos pelo Banco Mundial na África não são aplicados nas finalidades as quais se destinam. O problema é de governança, modelo de desenvolvimento, institucionalidade e, acima de tudo, mindset. Vale a discussão.
Todo processo emancipatório envolve algum tipo de empoderamento e tomada de consciência e responsabilidade pelo destino - de cada um de nós e também das sociedades e países. A síntese para o desenvolvimento não é a ajuda que cria dependência, mas a criação de estruturas locais capazes de gerar valor.
A mudança está em curso. Bob Geldof foi um dos principais organizadores das campanhas contra a fome na África nas décadas de 1980 e 1990, arrecadando milhões de dólares com shows musicais, discos, doações. Os concertos são coisas do passado e Geldof é o chairman de um fundo de private equity que investe na Etiópia. Sinais dos tempos. Bons e rentáveis sinais!

PS: antes que desavisados compatriotas passem por aqui e pensem coisas que não encontram base factual: o livro destaca o enorme sucesso de experiências de transferência condicional de renda, como brasileiro Bolsa Família. Tem dúvidas? Veja apenas um exemplo dos impactos na saúde.

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