segunda-feira, 16 de maio de 2016

Medo

Caminhava apressado em Schiphol há pouco mais de um mês e notava uma movimentação diferente, sentia um astral diferente. Nunca o aparato de segurança fora pra mim tão forte e aparente em um aeroporto europeu. Não faltam razões.
O medo é sistêmico. O medo cria barreiras e preconceitos, que fecham portas e as fronteiras, que fazem brotar o amargor e a desconfiança, que crescem com a falta de perspectivas e o fanatismo, que gera o ódio, que leva ao extremismo, que explode a razão e leva à cegueira, que põe a perder humanidade, que assim atenta à vida e esparrama cada vez mais medo.
Como é difícil aceitar o diferente, o outro. 
A Holanda é uma sociedade aberta, secular, diversa. É uma sociedade sobre a qual paira um espectro: será preciso fechar-se para proteger-se?
A mesma edição da Time Magazine Asia de 4 de abril deste ano que traz uma matéria sobre a ameaça do ISIS, inclui uma breve nota sobre Myanmar. Por lá, um grupo extremista budista (isso mesmo.. você leu certo: "um grupo extremista budista") promove o ódio a muçulmanos e realiza ataques. Não conhecia extremistas budistas? Welcome!
O medo é circular. Os refugiados da guerra na Síria buscam abrigo e a chance de uma nova vida na Europa. Mexem com o imaginário e com o bolso dos europeus. O medo cresce. As perspectivas são sombrias. Para os refugiados, a Europa, todos nós. O medo consome. O cerco se fecha. E não adianta apertar o passo.

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