sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Grande e complexo

Você já parou para olhar com atenção o mapa mundi? Mesmo? Sempre que faço isso penso como a Rússia é grande. É enorme, tem o dobro da área do Brasil.
Olhando daqui, pela tela da Globo, impregnados por uma variedade de esteriótipos e embalados na costumeira ignorância que nos é característica em Pindorama, pouco conhecemos daquele País. É uma terra de gente de várias origens e etnias, com uma complexidade enorme na sua estrutura político-administrativa, difícil de entender.
Conheço pouco, muito pouco. Sou um ignorante quase total. Além de coisas que conheci na feira de artesanato em Curitiba, li alguns livros de autores russos - gostei muito do Guerra e Paz, até hoje um dos meus favoritos - e sempre fui curioso sobre história. Em anos recentes, estive lá algumas vezes, em lugares e momentos bem diferentes.
Sempre me interessei pela Revolução Russa. Fiquei fascinado com a queda do Muro de Berlin, impressionado com a imbecilidade humana e maravilhado com a liberdade. Sempre foi difícil entender o que aconteceu na Rússia após a queda do Muro e o fim da União Soviética, a desintegração da economia e da sociedade. 
A desintegração da URSS criou muitas oportunidades. Tenho um bom amigo que foi à Rússia recrutar cientista para o Brasil no início da década de 1990. Conheço um americano que foi venture capitalist lá. Tenho amigos que casaram com russas. Conheço gente que foi e ainda vai comprar tecnologias de materiais e saúde que não estão disponíveis no ocidente. Mas as grandes oportunidades e desafios apareceram, mesmo, para os Russos. 
Este livro relata os anos que se seguiram ao final da USSR, particularmente a partir do Governo de Boris Yeltsin, até os dias de hoje. Foram tempos difíceis - a Rússia recuperou em 2004 o nível de renda per capita que apresentava em 1989, mas somente em 2014 a taxa de fertilidade. Foram tempo confusos, de acirradas disputas de poder, de bilhões de dólares trocando de mãos, fortunas e reputações sendo construídas e destruídas. 
Foi nesse processo complexo que emergira Vladmir Putin e outros personagens centrais da história contemporânea - leia o livro para saber mais. Valeu muito a experiência de conhecer pessoalmente e debater com alguns desse líderes em San Petesburgo. Ajudou a diminuir a minha ignorância.

Brasil, país do futuro

Nesta semana que está chegando ao fim, a Alemanha teve uma eleição singular. Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, a extrema direita terá representação no Bundestag. E não será pouca coisa, a "Alternativa para a Alemanha" terá 93 assentos, constituindo-se na terceira bancada. É muito.
Parece que o vírus que faz com que as pessoas pensem e olhem o futuro olhando pelo retrovisor se espalhou com força na terra do povo da floresta. Mas não só lá, como bem ilustra nosso conturbado Brasil. Aliás, mais Pindorama, acredito.
Mas Pindorama tem lá suas oportunidades. Muitas, para quem souber navegar a imensa confusão que é o País - criada por nós, nossa responsabilidade, diga-se.
O mundo ocidental envelhece a passos largos e o crescimento populacional no mundo virá da África e da Ásia - veja este gráfico impressionante comparando a evolução da população nos diferentes continentes. A população ocidental envelhece. A população brasileira envelhece. Está terminando o bônus demográfico e estamos nos tornando um país de idosos. Há desafios e oportunidades associadas a esse fenômeno.
Esta edição da The Economist, trouxe uma matéria especial sobre aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, dando origem um boom no dito silver market e originando outras oportunidades de negócios. No Brasil, não temos infraestruturas e produtos que são encontrados em mercados maduros, há uma variedade de necessidades não atendidas. Eis aí uma oportunidade de negócios e crescimento.
Tenho escutado cada vez mais de amigos que o Brasil é e sempre será o país do futuro. Há alguns anos, escutei essa mesma frase de um sábio, super culto, inteligente e sarcástico representante do silver market nos EUA. Achei exagerado, já não tenho certeza.
Talvez nosso futuro tenha mais a ver com o passado do que pensamos e pensávamos. Talvez valha investir. Vale pensar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Fantasia do Oriente

Sabemos tão pouco sobre o que acontece e aconteceu em lugares distantes. Alguns não tão distantes - como a Andaluzia, mas apagados pela nossa história cristã. Outros mais - como to o vasto Mundo Árabe, pouco conhecidos no Ocidente, especialmente nestes tempos de preconceitos e notícias falsas.
Pouco sabemos e reconhecemos também que muito do que temos e sabemos hoje teve origem no Mundo Árabe - da matemática à astronomia. Para quem se interessar e um dia for a Jeddah: o KAUST tem um Museu da Ciência e Tecnologia no Islã que é muito legal. P
Mas não só ciência vem de lá, também ficção, com toques de ciência e fantasia. Precisamos mais Islamic Sci-FiVale conhecer Yaqteenya.

domingo, 6 de agosto de 2017

Beagle

“O amor por todas as criaturas é o atributo mais nobre do homem.” 
Charles Darwin

"Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (...) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento."
― Charles Darwin

Vale a pena pensar. Para inspirar, vale passar os olhos por esta edição especial da Time, revisada em 2017.

domingo, 30 de abril de 2017

Hoje, um tweet

A ONU foi criada em 1945, logo após a 2a Guerra Mundial. Até hoje, serviu para muita coisa. Impediu que uma 3a Guerra Mundial acontecesse. Até hoje.
Muita coisa mudou. Não estávamos na era digital em 1945. A população mundial não chegava a 2,5 bilhões - hoje já somos mais de 7.5 bilhões. O nível do mar não subia como hoje e não assistíamos o Ártico derreter. Muitas das tecnologias que fazem parte indissociável da nossa vida contemporânea não existiam - inclusive a que permite escrever este blog - e a tecnologia não expandia na velocidade atual, estava longe do que vemos hoje.
Até hoje, o sistema internacional nos serviu. Na contemporaneidade, um tweet pode levar a 3a Guerra Mundial. Como evitaremos? Como lidaremos com isso?
Precisamos de um novo sistema. Aliás... se voce tiver a solução, há um prêmio para isso. Vale pensar. Mais do que isso, vale agir.

Cyber ralação

O paradigma de ensinar e aprender está mudando. Aliás, precisa mudar. Ainda hoje, de forma geral, os professores do século XX ensinam (?) as crianças - grandes e pequenas, de todas as idades - do século XXI com os métodos do século XIX. 
Uma das promessas é a educação personalizada, individualizada, no ritmo de cada um, com conteúdo específico para cada "estudante". Como fazer isso? Com uso de Inteligência Artificial - AI, em inglês.
A AI tem estado por aí há um bom tempo. Contudo, o crescimento exponencial do poder de computação permitiu que novos algoritmos pudessem ser executados de forma rápida e barata, especialmente os algoritmos de "aprendizado", (no geral baseados em redes neurais), como machine learning and deep learning. A partir daí, foi um pulo rápido para a AI virar ao mesmo tempo panacéia e ameaça. Admirável mundo novo, de muitas oportunidades e grandes desafios.
Um dos grandes desafios, ainda hoje, é fazer com que robôs caminhem - ou aprendam a caminhar como nós, bípedes que escrevem e leem blogs. Esta edição (antiga, de julho 2016) da Scientific American traz uma matéria interessante sobre os desafios para construir e fazer com que robôs aprendam a caminhar. Ainda terão que ralar muitos esses bípedes de metal para fazer o que fazemos.
Mas pelo menos os cyber dogs estão avançando! Nesta semana que passou, um dos fundadores da Boston Dynamics, Marc Raibert, fez apresentação no TED 2017 junto com o seu SpotMini. Nem só cyber bichos assustadores eles constróem. Por detrás dessas máquinas todas, está a #AI. 
Em tempo, se você quiser, pode construir suas soluções baseadas em AI usando plataformas que estão disponíveis na web, como esta criada pelo Google. AI está aqui para ficar. Cada vez mais, será parte de nossa vida. Cada vez mais será um serviço.
No final da história, ainda há um caminho a percorrer e aprender, em especial para nós, humanos. Precisaremos aprender a entender e lidar com essas máquinas e sistemas que fazem, cada vez mais coisas que não entendemos de onde vem e porque. Será preciso muita ralação para lidar com esta nova era das máquinas. Vale a pena aprender a respeito.

1973 - 2017

"Llora en la ciudad como llueve en su corazón...". 
Por que chora? Por que choram? Quem chora? Quando? Em quais cidades e lugares? Será que conseguimos ou conseguiremos entender?


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

London Bridges

Londres tem como meta ser a primeira cidade do mundo a ter 5G operando em larga escala. É uma visão ousada e empreendedora, para uma cidade que pulsa, que empreende, que compete para estar à frente, que cresce.
Fiquei sabendo desse 'plano' em uma fala do Vice-prefeito para Assuntos Econômicos (tradução minha, o nome do cargo é Deputy Mayor for Business), Rajesh Agrawal, durante evento que organizei naquela cidade no final de 2016.
Agrawal nasceu na Índia e chegou em Londres há pouco mais de 15 anos, em 2001. Seu chefe, o Prefeito Sadiq Khan, é um londrino filho de imigrantes paquistaneses. É muçulmano.
Londres é uma cidade de gente de todos os lugares: quase 40% da população londrina nasceu fora do Reino Unido. Em vários "bairros", a população de imigrantes supera a de britânicos. Londres é uma cidade de gente de cores, caras, olhares, crenças diferentes. Londres pulsa.
É pouco sabido (eu não sabia), mas Londres teve um enorme decréscimo populacional após a Segunda Guerra Mundial. Há pouco tempo atingiu o mesmo nível populacional que tinha em 1950, mas a população ainda é inferior a da década de 1930. 
A Londres de hoje cresce. É um hub mundial de inovação. É lá o NW de Zadie Smith, cheio de gente de todos os cantos. Não sem conflitos, mas diversa, mas que avança.
Em um mundo cada vez mais cheio de muros, Londres constrói pontes. Atravessá-las há de valer a pena.

domingo, 29 de janeiro de 2017

De gota em gota

A cada dia, são publicados quase 3 milhões de posts em blogs. Este é apenas uma gota no oceano digital que não para de crescer. É inevitável ser quase nada em meio a tanto conteúdo criado todos os dias, por gente de todo o mundo, por todos nós. 
E estamos apenas no início. Ainda hoje, menos da metade da população mundial tem acesso a internet. Além da internet, várias outras tecnologias estão a crescer exponencialmente e seus impactos, apesar de já visíveis nos dias de hoje, ainda estão apenas no início. Há muito ainda por vir.
Se não destruirmos o planeta e a nós mesmos antes (o risco disso acontecer cresceu muito recentemente e atingiu o segundo ponto mais alto na história), estaremos todos conectados em algumas décadas e teremos cada vez mais em nossas vidas coisas que antes pensávamos ser apenas ficção. Espero que cheguemos ate lá, sãos e salvos.
Quer saber mais sobre o que acontece na internet a cada dia ou segundo? Veja estatísticas em tempo real. Vale ler para notar como, de gota em gota de conteúdo, fazemos crescer exponencialmente a informação disponível no mundo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Game over

Você lê revistas de negócios? Sim? Gosta?  Eu gostava (muito) de ler Exame há algumas décadas e ainda leio várias revistas de negócios nos dias de hoje, principalmente online. Até influenciaram a minha trajetória pessoal e profissional - incentivaram a fazer uma pós-graduação mais voltada para negócios do que a graduação em Engenharia.
Sempre gostei de revistas. Fiz um lobby doméstico na década de 70 para meu pai assinar a Veja. Vejam só... comprava revistas em quadrinhos, de ciência, de história. Sempre fui curioso, viciado em informações.
Comprei esta edição da Bloomberg Businessweek em um aeroporto - onde mais existem bancas de revistas nos dias de hoje? De repente percebi que não conheço nenhuma por aqui onde moro - que não é Copacabana ou Nova Iorque. Admirável mundo digital.
Digital e tecnológico são o mundo e os negócios, cada vez mais os negócios. Veja, tecnologia é o principal assunto da edição de junho13-26 da Bloomberg Businessweek. Mas não para por aí. Entre no site agora e verá: a maior parte das matérias são sobre novas tecnologias e como estão mudando o mundo: veículos autônomos, câmeras de vigilância, laboratório de dinossauros, robôs cirúrgicos, blockchain, novas naves da NASA....
Há algum tempo, tecnologia era curiosidade, hoje é o eixo central do conteúdo das revistas de negócios. As revistas de negócios focavam em métodos de gestão, melhores práticas, líderes, receitas de bolo. Tudo isso é agora coisa resolvida ou do passado. Cada vez mais temos conhecimento sistematizado sobre como preparar pessoas, montar e gerir equipes de alto desempenho, ser eficiente em operações. A grande questão hoje é como sobreviver numa era de mudança tecnológica acelerada! O jogo mudou!
O Peter Diamandis bem colocou no Abundance: a tecnologia se digitaliza e o acesso se democratiza. Com um crescimento exponencial da tecnologia, as empresas que aí estão penarão muito para continuar existindo, muitas, a maioria, irão morrer.
Game over para muitas corporações e muita gente!
Em tempo... fui ler uma revista de negócios brasileira enquanto escrevia este post. Não há quase nada sobre novas tecnologias, mas há muita coisa sobre a política em Pindorama. Sinais de decrepitude. Game over!

domingo, 28 de agosto de 2016

Tempo

Com exceção de alguns lugares da América Espanhola - Cuzco, por exemplo - é difícil perceber deste lado do Atlântico que a história vem em camadas. Estamos no mapa, americanos do sul ao norte, há pouco tempo. É claro, muitos estavam aqui antes dos europeus aparecerem com seus espelhinhos, mas no geral (e infelizmente) não nos reconhecemos nos povos que aqui habitavam e não incluímos o registro daquela história passada na nossa própria.
Há em Roma uma igreja muito interessante, local onde três edificações distintas foram construídas, uma sobre a ruína da anterior. Lá, literalmente, vemos as camadas. Roma é uma dessas esquinas do mundo, onde gente de todos os tipos se encontrou. 
Foram os romanos, aliás, que criaram Barcelona. É outra dessas esquinas. Um lugar com uma identidade e uma língua próprias - e uma comida maravilhosa. Um lugar onde a história veio em camadas.
Leva tempo a construção de uma sociedade, de valores compartilhados e vividos, de consensos. A Catalunha da tal cidade de Barcelona ainda ambiciona a sua independência. Os que vieram (bem) depois deveriam pensar nisso. O tempo faz falta.

Lux

O Brasil vive um momento singular. Há mais destruição do que construção, mais discórdia do que diálogo, mais desperdício do que resultado, mais ódio do que empatia, mais arrogância do que sinceridade, mais mentiras do que verdades, mais confusão do que clareza, mais perdas do que ganhos, mais trevas do que luz, mais passado do que futuro.
Surpreende encontrar este livro sobre o Orçamento Participativo de Porto Alegre, que foge do Fla-Flu - no caso, melhor, foge do Gre-Nal! Quiçá seja possível fugir da violência trivial e das simplificações grosseiras. Talvez seja possível compreender que as sociedades, as cidades, os países, a cidadania, são obras em eterna construção. Talvez.
Talvez haja luz e consigamos avançar. Vale torcer. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Dallas

Nunca visitei Dallas - ainda! Mas lembro da série de TV, de muitos anos trás - acho que teve uma refilmagem recente; não? Sim, em 2012.
Pois bem...
Não há muito estive em Florença.... che bella città! Berço do Renascimento e origem de muitas coisas que conformaram o que pensamos, sentimos e gostamos hoje - pelo menos aqui na banda Ocidental do planeta.
Em grande parte, Florença e o Renascimento foram obra de uma dinastia, os Medici. Banqueiros, políticos e, por fim, nobres. Uma dinastia que não tinha só dinheiro e poder, mas que fora forjada por alguém que acreditava no poder da ideias e nos homens, na sua capacidade criativa e transformadora no mundo.
Dallas foi uma série criativa - pelo menos eu gostava de assistir - e que marcou minha infância (podia assistir?). Florença, a existência de todos nós e dos que estão por vir.

Design

Como é difícil mudar... ah.... como é difícil mudar!
Mudei de linha!
De novo...!!
Cada um de nós enfrenta dificuldades para mudar, especialmente mudar de hábitos. É um mercado enorme, que cresce: cada vez mais existem cursos, aulas, métodos, consultorias, mentorias e ferramentas para aprimoramento pessoal e gestão da mudança. Quer algo 'digital'? Há inúmeros apps, inclusive o The Fabulous, desenvolvido pelo Sami Ben Hassine.
Mudar é muito difícil, em especial na sociedade como um todo. Algumas mudam bastante (a americana?), outras pouco (a brasileira?). Mas mudanças nas sociedades não tem apenas que ver com valores. Vão além, bem além... precisam ser traduzidas em ações concretas, em formas de agir, trabalhar, alocar recursos.
Esta edição da Wired traz uma entrevista legal com Al Gore. Ele foi, quando poucos no mainstream se preocupavam, uma voz pela mudança - dos hábitos, políticas, padrões de consumo, escolhas tecnologias. Tudo para tentar mitigar ou evitar uma outra mudança: a mudança do clima.
Precisamos mudar! 
Ah... e o que isto tudo tem a ver com design?
As melhores soluções são aquelas incorporadas no design de qualquer sistema, produto, serviço, organização... ou até mesmo pessoa! Talvez educar e formar é um enorme desafio... a Revista trás um conjunto de matérias divertidas e legais sobre como hackear as crianças. Em outras palavras, como fazer o design de comportamentos e atitudes.
Pra quem tem ou não tem filhos... vale ler.

Cadê a vaca?

Onde nasci, nasce muita vaca. Boi e ovelha também. Pouca gente conhece ovelha mais pro norte; lá, onde nasci, é prato do café da manhã.
Somos mais de 7 bilhões de humanos no planeta - tudo bem... alguns nem tão humanos assim... Quer saber números exatos? Impossível. Quer uma estimativa acurada em tempo real? Veja aqui.
Essa gente toda quer comer. Precisaremos dobrar a produção de alimentos nos próximos 50 anos. Como faremos para esse pessoal todo comer? Não esqueçamos, a criação de gado é responsável por 14,5% das emissões de gases causadores do efeito estufa. No Brasil, agricultura e pecuária representam 37% das emissões
Nós, humanos, corremos o risco de ter que buscar refúgio nas montanhas quando a água subir alguns metros (já imaginaram a confusão?) em função do aquecimento global. As vacas, ovelhas, suínos e outros bichos não tem como buscar refúgio, especialmente quando chega a hora do abate
Mas há notícia alvissareira, especialmente para eles, bichos: aumentar a produção de comida não demandará que rebanhos (e abates) cresçam na mesma proporção. Em 2050, espera-se que mais de 30% da proteína animal (leia-se, carne) seja produzida a partir de processos industriais, do cultivo de proteínas - é o que diz este relatório do Governo da Irlanda. Há um número crescente de startups tentando desenvolver processos, produtos e negócios nesse domínio. Aliás.... o futuro da comida está na capa da Wired de agosto de 2016, que por enquanto só está disponível no iPad. 
Ah... tem muita vaca na Irlanda, imagino que estivessem e estejam preocupadas. Não sei se explica o relatório... que aliás é ótimo. Recomendo ler!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Não leram? Não gostam?

Fiquei muito curioso com esta edição da The Economist. Será que eles nunca ouviram falar de Ray Kurzweil e da lei dos retornos em aceleração? De forma acelerada: duvido!
Ao que tudo indica, há mais coisas entre o Intel 8080 e o Core i7 do que a minha vã filosofia linear pode supor. 

It's about data!

Muita gente escreve e fala muita coisa sem muito sentido. É muito, é demais, não consigo nem quantificar. Quando o assunto é comportamento então, os chutes e as ideais rasteiras grassam. 
Uma coisa que algumas vezes me chamou a atenção nas ciências sociais no Brasil é encontrar gente repetindo conceitos e fazendo afirmações que me parecem não ter lastro na realidade. Discursos prontos, ensaiados entre amigos. Palavras para iniciados. Ausência de pensamento crítico e diálogo fora do círculo fechado daqueles que leram as mesmas coisas e pensam como você. Muito dogma e poucos dados.
Tá certo... sou um engenheiro caído e meu modelo mental não deve escapar de uma viés positivista, ainda que velado. Não sou um cientista social, para o bem e o mal.
Uma outra coisa que sempre me chama a atenção é como as ciências sociais nos Estados Unidos são baseadas em métodos quantitativos e experimentação. É uma outra abordagem, que faz minha alma de engenheiro mais faceira - desculpe-me, mas não sei quantificar o quanto.
Originals é um livro bom de ler, feito a partir de inshights e conclusões baseadas ou inspiradas em pesquisas quantitativas. É sobre comportamento. É sobre padrões. É sobre dados.
Adam Grant é professor em Wharton e um grande comunicador. Não quer ler o livro? Tudo bem... assista o seu aclamado TED talk sobre os hábitos dos originais. É algo mais para aprendermos, engenheiros e cientistas sociais: comunicar, contar histórias, inspirar - nada de apresentações chatas em power point!

As rédeas do destino


A população africana irá dobrar nos próximos 40 anos. É muita gente. Será muita gente! Para um continente que tem quase 50% da população vivendo em extrema pobreza, os desafios são enormes.
Lembro-me da fome na Etiópia, quando eu ainda era adolescente. "We are the world, we are the children": bela canção, fez sucesso. O que mudou desde então? Tivemos boas e más notícias. Ups and downs
A África sofreu e sofre enormemente com a AIDS e outras doenças. A expectativa de vida no Continente caiu drasticamente desde meados da década de 80 mas começam a surgir resultados positivos.
Nos campo político e econômico a situação pouco evoluiu em muitos países, em outros andou para trás. Para Dambisa Moyo, não foi por falta de ajuda internacional que África ficou para trás. Foi principalmente, pelo excesso de ajuda. 
A ajuda internacional corresponde a cerca de 15% do PIB africano. 85% dos recursos fornecidos pelo Banco Mundial na África não são aplicados nas finalidades as quais se destinam. O problema é de governança, modelo de desenvolvimento, institucionalidade e, acima de tudo, mindset. Vale a discussão.
Todo processo emancipatório envolve algum tipo de empoderamento e tomada de consciência e responsabilidade pelo destino - de cada um de nós e também das sociedades e países. A síntese para o desenvolvimento não é a ajuda que cria dependência, mas a criação de estruturas locais capazes de gerar valor.
A mudança está em curso. Bob Geldof foi um dos principais organizadores das campanhas contra a fome na África nas décadas de 1980 e 1990, arrecadando milhões de dólares com shows musicais, discos, doações. Os concertos são coisas do passado e Geldof é o chairman de um fundo de private equity que investe na Etiópia. Sinais dos tempos. Bons e rentáveis sinais!

PS: antes que desavisados compatriotas passem por aqui e pensem coisas que não encontram base factual: o livro destaca o enorme sucesso de experiências de transferência condicional de renda, como brasileiro Bolsa Família. Tem dúvidas? Veja apenas um exemplo dos impactos na saúde.

Medo

Caminhava apressado em Schiphol há pouco mais de um mês e notava uma movimentação diferente, sentia um astral diferente. Nunca o aparato de segurança fora pra mim tão forte e aparente em um aeroporto europeu. Não faltam razões.
O medo é sistêmico. O medo cria barreiras e preconceitos, que fecham portas e as fronteiras, que fazem brotar o amargor e a desconfiança, que crescem com a falta de perspectivas e o fanatismo, que gera o ódio, que leva ao extremismo, que explode a razão e leva à cegueira, que põe a perder humanidade, que assim atenta à vida e esparrama cada vez mais medo.
Como é difícil aceitar o diferente, o outro. 
A Holanda é uma sociedade aberta, secular, diversa. É uma sociedade sobre a qual paira um espectro: será preciso fechar-se para proteger-se?
A mesma edição da Time Magazine Asia de 4 de abril deste ano que traz uma matéria sobre a ameaça do ISIS, inclui uma breve nota sobre Myanmar. Por lá, um grupo extremista budista (isso mesmo.. você leu certo: "um grupo extremista budista") promove o ódio a muçulmanos e realiza ataques. Não conhecia extremistas budistas? Welcome!
O medo é circular. Os refugiados da guerra na Síria buscam abrigo e a chance de uma nova vida na Europa. Mexem com o imaginário e com o bolso dos europeus. O medo cresce. As perspectivas são sombrias. Para os refugiados, a Europa, todos nós. O medo consome. O cerco se fecha. E não adianta apertar o passo.

Metamorfose

Como é difícil mudar! Somos todos presos a velhas ideias e velhos hábitos. Se não é mole na vida pessoal, imagine na vida corporativa e no mundo do beezeeness!

Schumpeter já dizia que a inovação é o motor do capitalismo, é a tal da destruição criativa. Novos produtos, processos, formas de organização etc. tornam obsoletos os antigos.
Quem não inova se trumbica, dizia o Chacrinha.... ou quase isso. Nunca isso foi tão verdadeiro. Vivemos um tempo de mudança acelerada. Quase 90% das empresas que constavam da Forbes 500 em 1955 desapareceram ou saíram da lista. Serão necessários bem menos que 60 anos para que isso aconteça com aquelas que hoje estão lá. A mudança se acelerou.
O impacto não se limitará as empresas. Cerca de 25% dos profissionais nos EUA tem cargos que não existiam há dez anos atrás. 48% dos empregos hoje existentes nos EUA tem alta probabilidade de desaparecer nos próximos 20 anos - veja uma pesquisa a respeito.
E daí? Para onde ir? Qual a direção da mudança? Como fazer para metamorfosear a sua organização?
Algumas das maiores empresas do mundo são quase virtuais (não possuem ativos e operam com ativos de propriedade de outros) - pensou no Über? Acertou! O software está engolindo o hardware. Cada vez mais gente passa a trabalhar sob demanda e não com tempo fixo. É o tempo das organizações exponenciais, dizem Salim Ismail e seus comparsas.
Este foi um dos livros de negócios mais divertidos a atrativos que já li, prendeu a minha atenção do início ao fim. Acho que vale a pena ficar exponencialmente ligado!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Onde está o dinheiro? Para onde vai?

O Vale do Silício concentra a maior parte dos investimentos em venture capital dos EUA - Sand Hill Road reúne a maior quantidade de venture capital firms por quilômetro no mundo. Ou melhor, por milha.
O volume de investimentos em venture nos EUA tem subido bastante em anos recentes e o volume investido dobrou entre 2013 e 2015. Mas como em outras áreas da economia (e da vida) é a China que muda o jogo - é o país que mais cresce em número de deals e capital comprometido. 
Quer saber quem são os principais players? Confira esta lista. Ou acredite nos dados e na representatividade de uma das associações chinesas de VC/PE - veja a lista e tire suas conclusões. 
O volume de dinheiro tem aumentado ao redor do mundo, mas os recursos são aplicados majoritariamente em software. Não necessariamente para criar os produtos e as empresas que o mundo precisa, em áreas como alimentos, saneamento, energia, habitação. A lacuna no financiamento da inovação hard é um tema recorrente. Esta edição da MIT Tech Review traz um conjunto de pequenos artigos sobre o financiamento da inovação, como parte de um caderno especial sobre o assunto. 
O dinheiro está nos EUA e, cada vez mais, na China. Vai para software - e algumas outras coisas. Mas isso não resolve os problemas que temos, especialmente um dos mais prementes deles: a mudança do clima. Com ela, a coisa poderá ficar quente de verdade... e eu não estou falando da temperatura do ar.
Precisamos acelerar as inovações em tecnologias limpas. É isso ao que se propõe a mission innovation, iniciativa lançada pelos altos mandatários (o canadense se destaca...) durante a COP21. Do lado privado, Bill Gates e cia. lançaram uma coalizão de investidores e mega empreendedores, pensada para fazer venture capital com perspectiva de longo prazo (e paciência), investindo em eventuais tecnologias limpas que venham a resultar dos investimentos governamentais em pesquisa.
Dá tempo de mudar o jogo? A chamada de capa da revista diz para não ficarmos em pânico. Mas vale colocar as barbas de molho - onde há água, certo?. Os clima muda e os conflitos afloram - a coisa fica quente mesmo. Faz-me lembrar um velho e bom filme do Spike Lee. Val assistir... no conforto do ar condicionado.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sistema operacional

"Que país é este", perguntava a música da Legião Urbana. É o Brasil. É o Brasil que construímos a cada dia - todos nós. É o Brasil que aceitamos. É o Brasil com o qual somos complacentes.
Atingimos o nosso limite institucional, penso eu com os meus botões e as teclas do meu notebook, longe do calor de Pindorama. Com as instituições que estão aí, chegaremos onde já estamos. É pouco, muito pouco.
As instituições são o sistema operacional de uma sociedade. O nosso sistema operacional, em construção há séculos e cheio de remendos, deu GPF, a tela ficou azul... o problema é que não há como dar boot no País.
Este livro é escrito por autores que tem posição clara: são contra o governo e o partido que está no poder. Já eram contra em 2014, quando foi lançado, antes da deterioração da situação econômica e do quadro político em 2015. Sempre foram. Estando claro isso, é uma ótima provocação sobre nós mesmos. 
Aceitamos nos pautar por baixos padrões de desempenho, somos complacentes. Apaixonados por nós mesmos, esquecemos de olhar o mundo - que avança. Somos prisioneiros da aliança do atraso com o obscurantismo, forjada há 500 anos. Somos prisioneiros do passado. Somos prisioneiros do nosso modo de ver o mundo.
Sérgio Buarque de Holanda certa vez disse que "a ideologia impessoal do liberalismo democrático jamais se naturalizou entre nós [brasileiros]". Já é tempo. Ainda dá tempo? Será que é melhor deixar pra lá? Tá bom assim, né? Ou será que não? Seremos sempre complacentes?