Confesso: sou impressionável. E este livro me impressionou pela capacidade do João Moreira Salles de explicar algo que é extremamente complexo; o texto, eu já sabia que seria primoroso. Lembrei de Darcy Ribeiro. Brilhante. Brilhantes.
Eu costumava pensar que, se resolvêssemos o Rio de Janeiro, resolveríamos o Brasil. Durante muito tempo, isso me pareceu fazer sentido. Neste ano, Arrabalde, mudei de ideia.
Acho que, se conseguirmos resolver a Amazônia, resolveremos o Brasil. Não apenas como território ou bioma, mas como projeto de país, como ideia de futuro, como teste definitivo da nossa capacidade de construir instituições, gerar desenvolvimento e conviver com a complexidade.
O tamanho do desafio é gigantesco, descomunal, de uma imensidão amazônica. Ele abarca desde as enormes diferenças nos modelos mentais (leia, para entender) — tema recorrente de leituras, conversas e reflexões neste ano — até a nossa precária institucionalidade. Deixo apenas esta frase que está no livro: "...na Amazônia, crime é investimento" — e tudo isso é pela terra, possível pela não aplicação da lei e centralmente habilitado pela política. O alcance disso tudo é enorme, não se limita à Amazônia.

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