domingo, 23 de junho de 2024

Nunca estivemos tão próximos.

Soam os tambores da guerra no norte do mundo. Mas a nossa guerra contra a natureza e contra aqueles que vivem há milênios em harmonia com a natureza já está aí, há muito tempo.
Conseguiremos evitar? Recomendo que sim. Espero que sim.
Como? Não sei. E você?

Original: mais um!

 

Não, este não é um post sobre o livro do Adam Grant. Esse está aqui
Este é mais um post sobre gente que pensa de forma original. Gosto muito, adoro. 
Jeff Booth é caso raro, original. Conheço poucos que trafegam entre economia e negócios no pensar e escrever. A economia é um nível superior de organização sistêmica das atividades econômicas e relações sociais, e está alguns níveis de abstração acima dos negócios. Conheço muitos que têm ideias e falam de economia e do país tal como se fosse uma empresa: é um erro brutal. A cada nível do ‘sistema’ emergem novas propriedades e não faz sentido extrapolar do micro para o macro. A economia não é o somatório das empresas, é muito mais que isso. 
Saí do livro com mais perguntas do que entrei, e acho isso bom. Deixo apenas uma pergunta para você: se a tecnologia tem um efeito deflacionário (com o tempo, todos os bens se tornam mais baratos e acessíveis... pense quanto custava um videocassete quando chegou ao mercado), como sustentar crescimento econômico, dívida e remuneração do capital? 
Recomendo ler e ter dúvidas. Acima de tudo, pensar.

domingo, 10 de março de 2024

Não perto, tão longe

A Amazônia é quase um outro mundo. É um outro mundo. Um mundo invadido por nós mesmos, brasileiros. Mas isto já é assunto de outro livro e talvez outro post.

É um mundo difícil de entender. Muito difícil, de tão longe que estamos, nos nossos sofas e salas refrigeradas em tantas partes refrigeradas de Pindorama.

As imagens, belas, ajudam a entender e ver o que não entendemos e nunca vemos. 

Conheci na exposição no Tomie Ohtake. Gostei, comporei, li, recomendo. Espero um dia conhecer. Tão longe.









 

Gente da daqui

"Na aldeia, só se poderia sonhar em ser lavrador, pescador, professor ou padre. Embora este último fosse uma possibilidade, ninguém que eu conhecia viria a vestir o hábito dos monges, muito menos trocaria seu nome por outro monástico; não por falta de interesses, mas porque o corpo da Igreja era restrito a uma casta muito diferente de nós".

sábado, 9 de março de 2024

Faroeste Caboclo

Não, não é sobre a música da Legião Urbana. É sobre a vida urbana ou quase urbana do Planalto Central, sempre bruta. Conhece? Não? Devia. É causa, ilustração e síntese do Brasil.

Somos o que somos, poderíamos ser muito mais. 

Ah... e o café do livro? Não sei, mas poderia ser no competente Los Baristas. Recomendo. O café, o livro e, para um post com nome de música, a trilha sonora. 


 

sábado, 14 de outubro de 2023

Terra Brasilis

"Sobre a terra, há de viver sempre o mais forte".


 

Voar é preciso

 

Tudo e nada passa. Nas linhas deste Mário, da terra das araucárias, brotam angústias de vidas com horizontes curtos. Angústia. Tocante, pra mim.

Assim são tantas histórias. Tantos lugares perdidos em um melancólico sul do mundo. É preciso voar. Recomendo.

sábado, 10 de junho de 2023

Original

 

Adorei "Originals". Gostei ainda mais te ter recebido o livro de presente de amigos do outro lado do mundo, de surpresa, via Amazon, em um dia sombrio em Washington. Acendeu uma luz e aqueceu o coração.

Esse cara era um deles. Era original e brilhante. Sempre gostei daqueles que são capazes de pensar de fato, para além da repetição de ideias prontas e da papagaiada de erudições batidas. Daqueles que se dão à liberdade e têm a capacidade de reescrever o léxico e a sintaxe que regem a tecitura das ideias. Daqueles que desafiam as restrições, os pressupostos, as condições de contorno dos sistemas de ideias nos quais vivemos, nos quais habitamos. Darcy Ribeiro pensava e fazia, era ator do seu tempo, do seu destino, do seu país, do mundo. Brilhante, inquieto, sempre foi um man in the arena.

Fiquei embasbacado quando li "O Povo Brasileiro". Que coisa brilhante. Fiquem impressionado como alguém foi capaz de capturar em texto tão fluído e atrativo a complexidade sistêmica (adoro isso, e adoro parêntesis com ideias e detalhes) da construção antropológica, social e econômica (tudo junto, sempre) do Brasil. Li vorazmente com atenção, encantamento, curiosidade, deslumbramento e inveja. Genial.

Se você está qui, já deve ter notado: este é um post com inspiração e aspiração. Oxalá pudéssemos todos ter um que de Darcy Ribeiro, e sermos um pouco mais originais. Recomendo.

Rápido

Esta em Dublin e li, em português, este primeiro romance (publicado?) de John Boyne. Foi por acaso, nem sabia que era irlandês e que lá residia. Há ótimos contadores de histórias que vêm/vieram daquela canto do mundo.

Foram rápidas, a leitura e a visita. Sinto que tudo passa rápido. Recomendo viver, e tomar um bom pint de Guinness. Cheers.


 

segunda-feira, 20 de março de 2023

A looming crisis... em breve no seu quintal!

O ChatGPT escreve melhor que 90-95% das pessoas que conheço. Minha previsão: nos próximos 12-24 meses teremos uma onda de demissões de profissionais do conhecimento ao redor do mundo. Precisa de mídias sociais? O ChatGPT gera os tweets que você precisa. Quer fazer uma apresentação? O Chat GPT cria o outline, e ferramentas como ChatBA criam a até mesmo a apresentação usando os APIs da OpenAI. Precisa analisar um modelo de negócios? Você pode tentar o Validator.ai. Quer um logo? Tente o Dall.e

Há uma crise se preparando, emergindo. Estamos preparados? Cada vez mais empresas, governos e sociedades precisarão lidar com essa e outras crises. 

Este livro de Jonathan Tepperman é ótimo de ler, super bem escrito, como se esperaria de alguém que passou pelo NYT e a Foreign Policy. Em tempo, inicia com um caso do Brasil - adivinhe qual? Ah... você não tem tempo para ler o livro? Não tem problema, o ChatGPT faz um resumo dos principais takeaways - veja abaixo.

"'The Fix: How Nations Survive and Thrive in a World in Decline' de Jonathan Tepperman é um livro que analisa os desafios enfrentados pelas nações ao redor do mundo e como elas encontraram soluções para superá-los. Aqui estão alguns dos principais pontos abordados no livro:

  • Soluções bem-sucedidas geralmente são encontradas fora das fronteiras do país: Muitos dos países que conseguiram superar grandes desafios buscaram soluções além de suas fronteiras. Isso envolveu buscar conselhos de outros países, formar parcerias com organizações estrangeiras e aprender com as experiências de outras nações.
  • Pragmatismo é fundamental: As soluções mais bem-sucedidas geralmente são as que são pragmáticas e adaptadas às necessidades específicas do país. Isso envolve levar em consideração a história, a cultura e o contexto político do país.
  • Líderes são importantes: O livro destaca a importância da liderança forte para promover mudanças. Líderes dispostos a correr riscos, tomar decisões difíceis e lutar por reformas foram fundamentais para impulsionar o progresso em muitos países.
  • Colaboração é essencial: O livro enfatiza a importância da colaboração entre governo, sociedade civil e setor privado na promoção de mudanças. Soluções bem-sucedidas muitas vezes envolvem uma série de atores trabalhando juntos em prol de um objetivo comum.
  • Inovação é imprescindível: Muitos dos países que tiveram sucesso em superar desafios fizeram isso através da inovação. Isso envolveu alavancar novas tecnologias, experimentar novas políticas e abordagens e encontrar soluções criativas para problemas complexos.

Em geral, 'The Fix' oferece uma perspectiva esperançosa sobre os desafios enfrentados pelas nações hoje e destaca o potencial de progresso por meio da colaboração, inovação e pragmatismo". 

Gostou? Admirável mundo novo, não? Fica uma dica para o seu trabalho: você pode pedir para o ChatGPT escrever com o 'estilo' de uma publicação como as mencionadas acima. Recomendo muito, você usar IA, prepara-se para o que já está aí, pensar sobre o seu emprego (ainda tem um?) e a carreira. 

Quem sabe, usando as ferramentas de IA, você consiga que aguentar o impacto. Em breve, uma nova crise estará no seu quintal. Recomendo: prepara-se e brace for impact!

 

domingo, 29 de janeiro de 2023

Futuro?

Na alvorada de 2023, soam os tambores da guerra, tocados pelos falcões em todas as geografias. A noite nunca esteve tão próxima como agora.

A insensatez coletiva avança. Como nunca d'antes, precisamos de um "Ministério para o Futuro”. Recomendo.


 

sábado, 20 de agosto de 2022

Gente

Esta revista Traços é sobre gente. Adoro. Recomendo. Conhecer, ler, comprar, difundir e apoiar, a revista. Conhecer, encontrar, conversar, com gente.

Há poucas mídias nas quais se possa ler, escutar, ver as histórias de "gente real", longe da idealização dos influenciadores e da glamourização dos globais e daqueles na ribalta desde sempre. Muito menos, mídias que realmente mudem o mundo para melhor, em Brasília, no Rio de Janeiro, em qualquer lugar.

Ah... e que vontade de assistir um espetáculo do Circo Artetudo, e estudar música na No Seu Ritmo. Recomendo viver.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Importante, em todos os tempos


 "...en tiempos de obscuridad, siempre hubo hombres buenos que lucharon por traer a sus compatriotas las luces y el progres... Y que no faltaron quienes procuraban impedirlos".

domingo, 17 de abril de 2022

Longe demais

 

O Brasil é um país pouco conectado com o mundo. Pouco conhecemos, interagimos e negociamos com o estrangeiro. No geral, acompanhamos o que acontece alhures por fontes secundárias ou terciárias. Nosso debate público sobre o mundo é raso. Desconhecemos as realidades complexas de tantos lugares, somos pautados por simplificações grosseiras - zero ou um, preto ou branco. 

Fomos uma nação de imigrantes. O meu Alvarez, contrabandeado pelo Prata, e tantos sobrenomes libaneses, sírios, japoneses, italianos, ingleses, alemães, ucranianos, russos.... e os pouquíssimos nomes africanos (e indígenas) que restaram do massacre humano e cultural da escravidão (não é estranhíssimo que um país onde 56% da população se declara negra quase não tenha pessoas com sobrenomes africanos? Eis a explicação: violência), são registros do passado. Hoje, estima-se que cerca de 0,6% da população brasileira seja composta por imigrantes, contra a média mundial de 3,5% e 14% nos EUA.

O desconhecimento e a desconexão com o exterior são barreiras enormes para um país que se mantém preso ao passado, tem uma economia pouco inovadora e precisa, urgentemente, modernizar-se. Aliás, o sucesso de qualquer agenda futura de inovação e competitividade passa por conexões ao exterior. Nosso conhecimento precário e as relações sempre mediadas com a Ásia, e particularmente com a China, são ainda mais alarmantes, como destacou a Tatiana na sua coluna na FSP. 

Foi nesse contexto que li, com gosto, este bom livro do Lourival Sant'Anna, figura rara no jornalismo brasileiro. O Afeganistão é longe demais, mas o Lourival já foi lá 4 vezes - a mais recente rendeu este documentário. Se não engajarmos, não entenderemos o Afeganistão e o mundo; se não entendermos, ficaremos onde sempre estivemos, longe demais.

A saída das forças estadunidenses e seus aliados do Afeganistão deu origem a acontecimentos caóticos. A guerra na Ucrânia pode tê-los varrido para um canto remoto da memória de todos nós no ocidente, mas a violência cotidiana e o conflito continuam lá. Lá e em outros cantos, estão em marcha dinâmicas que podem afetar (já afetam) a todos nós.

Talvez de um lugar distante venha um novo acontecimento a mudar a história. Talvez dele surjam novos desafios e oportunidades para o Brasil, a sua empresa, o seu negócio, a sua vida. Fique ligado, pense nisso quando estiver comendo um pãozinho quente no café da manhã. E Aproveite para celebrar que esquentar o pão ainda não ficou tão caro como na Europa

Recomendo, o pãozinho, quente. Junto com boas notícias do mundo. 

Brasil

O tempo passa, o tempo voa, and many things still the same.

Folheei há muito tempo. Li há pouco.

Continuamos a discutir a barretina da Guarda Nacional e a acreditar no orgulho da servilidade. 

F5 já.

domingo, 4 de abril de 2021

O tempo chega

"As pessoas não morrem porque chegou a hora. Elas morrem gradativamente a partir de dentro e, por fim, chega o dia do acerto de contas".

O que você fará em 2021? Em 2022? E depois?

Recomendo pensar, e fazer.
 

O fio da meada

 

"O mundo em que vivo se chama 1Q84 e não é o ano de 1984 real. É isso"?

Em tempo... acho que 1984 foi um dos melhores anos da minha vida, tenho boas lembranças. Vivi, gostei, recomendo.

Strange things happen

 

"Quando se faz algo incomum, as cenas cotidianas se tornam um pouco diferentes do normal. Mas não se deixe enganar pelas aparências. A realidade é sempre única".

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Diferente

Sempre gostei do que é diferente. Especialmente do diferente que funciona, que cria futuro, que gera riqueza. Mais ainda, de uma marca ativista, que tem opinião, que investe nas ideias nas quais acredita. Pouco comum, diferente.

Confesso que não (ainda) sou um cliente da Patagonia. Mas está na lista para o futuro, em um dia que hoje parece remoto, quando a pandemia estiver longe e voltarei a sair de casa. 

By the way... "vote the assholes out". Recomendo em todos e quaisquer lugares.

Tudo termina

Por quê? Para quê? 

Foi para que? Foi por quê? Qual o sentido de tudo isso?

Tudo termina, até 2020. 

Algumas coisas passam. 

Acima de tudo, rápido, mais importante que tudo, a vida.

Leadership

Eis algo que pouco se entende no Brasil e que nos EUA está "embedded" no sistema, na vida cotidiana, nas organizações: liderança. 

No geral, livros de negócios são chatos. Muito chatos. Este é o mais atrativo que li em anos, em décadas. 

Precisamos mais. Liderança e obras que tenham conteúdo de verdade, que valham a pena ler. Recomendo.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

The crazy one

"Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do". (c) Apple, 1997.

Be different. He did it.

Analógico

A GE não vive bons momentos, mas é uma companhia emblemática, cheia de história, feitos, tecnologia e capabilities. Podemos aprender importantes lições com a análise de sua história, trajetória e casos de negócios. 
Há uma enorme indústria de "gestão" - cursos, consultorias, livros, palestras, MBAs, artigos, mais palestras, bla, bla... muita coisa. Um dos principais termos da moda nesse mundo hoje é "transformação digital". Mas que diabos é isso? Fiz uma rápida busca e encontrei várias definições... por exemplo: esta, esta, esta e esta, dentre inúmeras outras. Estas todas são das melhores que encontrei, a maior parte do que está por aí é tão sólido quanto um megabyte!
Transformação digital é um buzzword. As empresas estão crescentemente preocupadas com os efeitos que o crescimento exponencial da tecnologia terá nos seus negócios. Daí até encontrar a solução há um longo, tortuoso e difícil caminho. É possível empacotar e vender muita "garrafada" aos que pensam em percorrê-lo de forma fácil, pois sempre há enorme demanda por soluções mágicas em todos os campos da vida e das atividades humanas. Lembremos que a travessia da GE não se completou e muitas mudanças nos seus negócios em curso.
De fato, não sei o que será da GE. Mas tenho certeza que o artigo recente de Jeff Immelt e Vijay Govindarajan na Sloan Management Review foi um dos melhores que já li sobre transformação - o negrito não é por acaso. Por muitos anos, Jeff foi o Chairman e CEO da GE, onde iniciou e liderou a iniciativa de manufatura digital.
Vivemos o alvorecer de uma nova era da manufatura, habilitada pela tecnologia. Contudo, transformação é, na realidade, menos sobre tecnologias digitais e mais sobre inovação em produtos, processos, modelos de negócios e gestão. Não é fácil, dificilmente é possível sem mudar muitas das pessoas e é impossível sem o alinhamento dos sistemas de recompensas. A transformação é fundamentalmente analógica e muito dificilmente, quase impossível, acontece dentro de uma organização já estabelecida - é preciso criar uma unidade à margem da empresa/corporação. Ah... mas o que de melhor existe sobre isso não é o artigo que comentei, mas sim este livro, que expande o framework das organizações exponenciais.
Ah... você quer mais dicas? A McKinsey oferece umas boas. Aproveite. Recomendo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Trade

Pratico e conheço pouco. Jogo mal, eu sei. Mas gosto bastante de xadrez. 
Há algumas semanas estive em um lugar onde se joga bastante: no Cazaquistão - você conhece? País distante, né? Vale dar uma olhadela... desde 2000, cresceu quase 10 vezes seu PIB per capita. Em um "lugar bacana" como o AIFC, a área de recreação não tem mesas de Fla-Flu (fussball), mas tabuleiros de xadrez! Quem levou a prática para lá? Imagino que mais recentemente os russos. No passado, podem ter sido os persas.
Este livro não foi adquirido ou produzido no Cazaquistão, mas sim no Qatar. Como muitas outras coisas, foram os árabes que difundiram o xadrez pelo mundo, através das suas conquistas e rotas de comércio. Pouco sabemos do mundo árabe, tão presente no nosso dia a dia, mesmo que não percebamos.
Você não acha que o comércio mundial é um bom jogo? Eu recomendo.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Bailamos na cauda

Um dos meus livros favoritos de negócios é "The Long Tale", escrito pelo então editor da Wired e hoje multi-empreendedor com negócios/projetos em robótica, drones etc., Chris Anderson. Não lembro bem como eu conheci a Wired, talvez tenha sido através do Flavio Pizzato, que hoje não faz drones, mas sim alguns dos melhores vinhos do Brasil. Lembro que, ainda na década de 1990, ambos líamos a revista em Porto Alegre - só gente exótica fazia isso. Mas este post não sobre Porto Alegre, a Wired, o Chris Anderson ou o Flavio Pizzato, é sobre como perdemos o rumo.
Em Porto Alegre, foi escrita, montada e encenada pela primeira vez uma peça de teatro que por lá ficou bastante conhecida: Bailei na Curva. A história acompanha a vida de um grupo de crianças/jovens ao longo do período da ditadura militar. A peça ficou famosa por lá no RS. Uma das canções também: Horizontes. Há quem diga que "virou um hino afetivo de Porto Alegre". Para além disso, "bailei na curva" tornou-se expressão corrente, sinônimo de perder o rumo, dar-se mal, se foder.
A internet permitiu que encurtássemos distâncias, expandíssemos os horizontes, conectássemos com gentes e lugares distantes. O argumento central do "The Long Tail", anteriormente desenvolvido em um artigo de 2004, é que a internet e as tecnologias digitais viabilizam a estratégia de ganhar dinheiro vendendo pequenas quantidades de uma variedade muito grande de itens. A digitalização e a presença online permite atingir mercados que antes não eram atendidos, demandas muito específicas, de quantidades limitadas. É possível conectar todas essas demandas e preferências específicas, localizadas, esporádicas em cada mercado e obter uma demanda global expressiva a ser atendida pelo fornecedor. Esse é o efeito da cauda longa.
A internet também permitiu que todos os malucos, raivosos, adeptos de teorias conspiratórias, pseudo-cientistas e falsos intelectuais se conectassem em grupos e grupelhos, muitos hoje com alcance mundial. É a cauda longa do radicalismo politico. 
Ao invés de contribuir para o aprimoramento do diálogo, a construção de consensos, a iluminação do debate público, a internet facilitou a gritaria, botou a razão para correr, esvaziou a praça pública, balançou a democracia. E disso que trata esta edição da MIT Tech ReviewEm outubro de 2018, no primeiro turno da eleição, fui votar com ela embaixo do braço. A fila foi longa, consegui ler várias páginas e pensar bastante.
Para além de conectar e amplificar as vozes radicais, a internet abriu uma porta para a manipulação da democracia, via fake news, campanhas bem estruturadas e com alvos precisos. Resumo: há atores e grupos que entenderam bem como hackear o processo democrático, enquanto outros apenas choramingam e ficam perplexos, presos a velhos modelos de mundo e diálogo. Estão errados. Permanecem no passado. 
Por enquanto, perdemos todos, ao norte e ao sul, ao leste e ao oeste, à direita e à esquerda, em cima e embaixo. Por hora, bailamos na cauda longa. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Limites e oportunidades

Andei pela primeira vez em um Tesla S em 2013. Depois, nunca mais fiz um passeio em um desses veículos. Concluo que tenho pouco amigos antenados e ricos. É limitado o meu círculo de amizades.
Estudei engenharia e até mesmo li sobre Georg Ohm durante um ataque de curiosidade pretérito. Contudo, para além da unidade que se utiliza no SI para medir a intensidade de um campo eletromagnético, confesso que pouco tinha me chamado a atenção o nome Nikola Tesla. Que falha! Será a minha curiosidade muito limitada? Por quê?
Quando você ler este post (se é que alguém lerá...) agradeça a Tesla e sua capacidade sem limites de criar. Sem ele, é possível que a disseminação da energia elétrica demorasse mais tempo - e, portanto, talvez tudo mais que se seguiu, inclusive a internet, tardasse a aparecer. É bem possível que este post somente seja possível hoje como resultado da vitória de Tesla e Westinghouse na "War of the Currents".
Tesla rompeu paradigmas, barreiras, fronteiras, limites. Viveu à frente do seu tempo. Assustou, escandalizou, iluminou e encantou. Até hoje - e talvez cada vez mais - continua a inspirar. Viveu em um tempo de capitalismo sem regras e grandes inventos. Fez tudo isso em uma terra longe de onde nasceu, para onde muitos foram atrás da sorte e de oportunidades. 
Tesla era um imigrante nos Estados Unidos da América. Rompeu as fronteiras do seu País e da Europa, ganhou o mundo e foi inventar sem parar do outro lado do Atlântico. Até hoje, muitos seguem esse caminho, inclusive o fundador da Tesla, IncOs EUA tem mais de 15% da sua população nascida no estrangeiro e os imigrantes são duas vezes mais propensos a empreender que os americanos natos. E essa continua sendo uma história (a outra, a do Nikola, vale conferir neste belo livro) de oportunidades e limites (e vice-versa) sobre a qual vale conhecer e pensar a respeito.

Xá comigo!

Este livro pode ser resumido em uma ideia: se você é um líder (ou quer ser um), você é "o responsável" em qualquer situação. Não dá para tirar a perninha na reta, nunca. Simples.

Quem se habilita? Vale pensar nas implicações, responsabilidades, dor de cabeça.

sábado, 2 de junho de 2018

Going high

Ah... como eu gosto dessa cidade. Tá certo... nunca morei lá. Visitar x morar: entendo bem que a experiências e as perspectivas são diferentes.
Mas já visitei várias vezes, a passeio, a trabalho. Na última delas, moderei uma conversa no Smart Cities NY18.
Ótimo evento, cheio de gente interessante - e prefeitos pra lá de articulados, inteligentes, bem formados, contemporâneos, que conhecem o mundo, entendem a complexidade dos dias atuais, pensam as mudanças que o crescimento e a aceleração do progresso tecnológico trazem consigo, comunicam muito bem as suas ideais... Lembrei do Brasil.
O slogan do evento era "powered by people". Mas Nova Iorque é mesmo... powered by people, money and technology. O elevador de Otis, a luz elétrica de Thomas Edison, o aço Bessemer... foram desenvolvimentos fundamentais que permitiram a cidade crescer, para cima. Uma ótima (curta) história dos arranha céus você encontra aqui. A história da Grande Maça, nesta ótima série da PBS.
Comprei esta edição da National Geographic History no supermercado ao lado de casa, alguns dias antes do evento. Valeu a fome. A necessidade dos tomates rendeu um bom papo, para o alto e além.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Máquina

O cérebro computa com a matéria, não usa apenas zeros e uns, como um computador digital. O cérebro é um computador analógico que funciona com inúmeros circuitos de feedback - o que os algoritmos de inteligência artificial (IA) não fazem
Cada um de nós é (isso mesmo, você é o seu cérebro), controla e é controlado pelo seu cérebro; tudo ao mesmo tempo. Isso é tão fascinante, assustador, desafiador. 
Para este que escreve o blog, é tempo de aprender a hacker a máquina. Já devia ter feito isso, há muito tempo, aliás.
Esta edição da National Geographic é um começo: tem boas dicas sobre como usar. Vale para todos os equipados com o dispositivo em questão.

Humanos


Somos obcecados por nós mesmos, humanos. Pensamos, queremos, sonhamos, trabalhamos para que as máquinas sejam como nós. E as máquinas, nossa criação, dão forma ao nosso mundo, humano.
Outro dia desses conversava sobre inteligência artificial com um amigo humano. Contava para ele que, no fundo, apesar do hype, as máquinas ainda são muito, muito burras. 
O que esta por aí de machine learning e deep learning nada mais é do que uma reencarnação turbinada da tecnologia de redes neurais. Vi um pouquinho disso quando fiz uma disciplina de Pesquisa Operacional na COPPE/UFRJ no final da década de 1990. Ah... quantas chances perdi, quanta falta de inteligência, minha, natural!
A base das tecnologias que tem dominado o campo da inteligência artificial está aí há décadas, mas os avanços exponenciais (cada vez mais acelerados) da computação permitiram aplicações que antes não eram possíveis. Mais virá, prepare-se. 
Mas usar redes neurais - e suas tecnologias derivadas - não significa que as máquinas "pensem" como nós pensamos. Há muito o que avançar. Elas são boas mesmo (muito, muito, muito melhores do que nós - inclusive para nos entender) é para identificar padrões e tem aplicações específicas - ainda não chegamos em uma IA geral, precisaremos de novos métodos e tecnologias para isso
Pois bem... e de onde poderão vir esses novos modelos e tecnologias? Uma importante fonte de inspiração, assim como foi para as grosseiras redes neurais, somos nós mesmos. Há muitos projetos tentando isso - em universidades, no Google, na União Européia etc.
Desenvolvemos máquinas e sistemas, mudamos assim o mundo da técnica e, em especial, o mundo das pessoas, de muitos e muitos humanos, de formas que ainda não sabemos.
Recomendo a todos, humanos e máquinas, ler esta edição da MIT Tech Review.
Vale processar; digo, pensar no assunto.

terça-feira, 6 de março de 2018

As coisas ruins que sentimos

"Deixando-se levar por sua excepcional capacidade para afundar, sentiu-se a própria Atlântida, no breve espaço de uma noite, tremendo em meio a terremotos e inundações e, sem mais ouvir a estranha sardana, iniciando sua última descida, numa imersão muito vertical, afundando em sua própria vertigem, chegando ao país onde as coisas não tem nome e onde não existem deuses, não existem homens, não existe mundo, só o abismo do fundo".

Sobre o público, o privado e tudo mais no meio do caminho

Sábado, 3 de março. A Escola de Engenharia da Universidade de Maryland recebeu um grupo de estudantes de high school para um dia de atividades - um deles, de perna peluda e 16 anos de idade, eu conheço bem. Passaram o sábado conhecendo a escola, o que é engenharia, carreiras, alguns laboratórios, eles mesmos (networking começa cedo ao norte do Equador...), como ingressar etc. e fazendo um pequeno projeto. Super cool.
Pano rápido, estrada engarrafada. "Talvez eu queira ser engenheiro", escuto. Penso: o tempo dirá, há muito tempo pela frente e tudo está a mudar muito rápido. Detalhe: "este é um bom momento para aplicar". Por que? A Escola recebeu há poucos anos a maior doação da sua história, realizada pelo fundador da Oculos. Está sendo aplicada na construção de um novo centro de ciência da computação e inovação - adivinhe o nome!?! - e em bolsas de estudos para estudantes que não podem pagar as nada módicas tuitions & fees da educação superior nos EUA. 
Sempre me impressiono como as doações privadas para universidades (veja uma lista impressionante aqui) e empreendimentos de ciência e tecnologia nos EUA são enormes, generosas, descomunais. Uma parte disso é explicado pelo imposto sobre heranças, que é de 40% nos EUA, contra um máximo de 8% no Brasil - ah... e o pessoal acho que o Brasil tem impostos altos, mas pouco conhece como funciona em outras partes fo mundo. Mas é também preciso considerar uma matriz de ideias que valoriza a ciência, o conhecimento, a educação e o give back para a sociedade. 
Nesta obra, Alexander MacDonald revela como, ao longo da história, foi o investimento privado a principal fonte de recursos para a exploração espacial nos EUA. O Projeto Apollo, que chegou a consumir 4,5% do orçamento federal americano, seria a exceção, não a regra. A conferir o que farão Musk, Bezos nesta nova era.
Mas o que impressiona mesmo, é essa mistura de público e privado, que resulta num caminho comum de maior progresso técnico, tecnológico, conhecimento, inovação, negócios. Entre o público e o privado, há uma variedade de combinações que apontam para o futuro. É o melhor dos EUA.

Analógico digital mundo

Adoro viajar. Há alguém que não goste? Mas nunca comprei uma revista de viagem, nem uma revista de decoração. Ou melhor, nunca tinha comprado.
Conheço algumas coisas que saíram do mundo digital e vieram para o analógico. Por exemplo, há jogos que viraram livros - daqueles impressos, feitos de papel, que se compra em uma livraria (pode ser na Amazon também), lembra? Mas nunca tinha encontrado uma plataforma digital que tivesse virado revista.
Bingo! Encontrei pela primeira vez duas (ou mais) coisas novas de uma vez nesta tal de airbnbmag. Cross media, cross business, cross industry, cross platform... holly cross!
Deu até vontade de tomar um mojito na varanda do Hotel Nacional de Cuba, em Havana! Recomendo um brinde!

2018, 2038 e além

O ano já vai longe, começou acelerado. Há muito a fazer - sem novidades, portanto. O tempo passa rápido; cada vez mais rápido, tenho a sensação.
Poucas pessoas, empresas, organizações, governos, países... 'pensam' o futuro de forma estruturada. Com a aceleração da vida - em função da globalização, conectividade global e crescimento exponential da tecnologia - torna-se cada vez importante fazer isso. 
Uma das coisas que acho mais interessantes desde de que conheci, no início dos anos 2000, são os ditos estudos de futuro. Originalmente, quem fazia bem isso eram os militares e as organizações ligadas às áreas de segurança e defesa, como a Rand Corporation
Também empresas investem em estudos de futuro, especialmente aquelas de setores como energia, automotivo, aeroespacial e eletrônica - além de conglomerados multissetoriais intensivos em tecnologia. A Shell, por exemplo, notabilizou-se pela abordagem de planejamento de cenários. Para empresas intensivas tecnologia - imagine Google, Samsung, Siemens... - é crítico pensar sobre 'o quem vem por aí', construir imagens e hipóteses sobre as apostas de pesquisa, tecnologias e produtos que farão e conceber planos para lidar com possíveis acontecimentos à frente. 
De volta ao setor público, notamos que as aplicações se espalharam de segurança e defesa para outras áreas. Governos com o britânico montaram unidades de estratégia, que dentre outras coisas usam ferramentas de estudos de futuro. No Brasil, tentou-se. A bem da verdade, há o CGEE, mas tem pouca centralidade no contexto de um país cada vez mais acostumado a olhar o futuro pelo retrovisor. 
Em 2017, organizei a Conferência Global de Inovação da GFCC em conjunto com a equipe do MIGHT. Fiquei muito, muito impressionado com a Malásia. É um País de uma enorme sofisticação na elaboração e implantação de iniciativas de inovação e desenvolvimento. 
Conheci então esta revista editada pelo MIGHT. Grata surpresa! Na minha cotidiana ignorância, jamais tinha encontrado uma revista de foresight para um país. Gostei do conteúdo e, acima de tudo, da proposta. Para construir o futuro, é preciso, antes, pensar no futuro. Pense nisto, rápido.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Grande e complexo

Você já parou para olhar com atenção o mapa mundi? Mesmo? Sempre que faço isso penso como a Rússia é grande. É enorme, tem o dobro da área do Brasil.
Olhando daqui, pela tela da Globo, impregnados por uma variedade de esteriótipos e embalados na costumeira ignorância que nos é característica em Pindorama, pouco conhecemos daquele País. É uma terra de gente de várias origens e etnias, com uma complexidade enorme na sua estrutura político-administrativa, difícil de entender.
Conheço pouco, muito pouco. Sou um ignorante quase total. Além de coisas que conheci na feira de artesanato em Curitiba, li alguns livros de autores russos - gostei muito do Guerra e Paz, até hoje um dos meus favoritos - e sempre fui curioso sobre história. Em anos recentes, estive lá algumas vezes, em lugares e momentos bem diferentes.
Sempre me interessei pela Revolução Russa. Fiquei fascinado com a queda do Muro de Berlin, impressionado com a imbecilidade humana e maravilhado com a liberdade. Sempre foi difícil entender o que aconteceu na Rússia após a queda do Muro e o fim da União Soviética, a desintegração da economia e da sociedade. 
A desintegração da URSS criou muitas oportunidades. Tenho um bom amigo que foi à Rússia recrutar cientista para o Brasil no início da década de 1990. Conheço um americano que foi venture capitalist lá. Tenho amigos que casaram com russas. Conheço gente que foi e ainda vai comprar tecnologias de materiais e saúde que não estão disponíveis no ocidente. Mas as grandes oportunidades e desafios apareceram, mesmo, para os Russos. 
Este livro relata os anos que se seguiram ao final da USSR, particularmente a partir do Governo de Boris Yeltsin, até os dias de hoje. Foram tempos difíceis - a Rússia recuperou em 2004 o nível de renda per capita que apresentava em 1989, mas somente em 2014 a taxa de fertilidade. Foram tempo confusos, de acirradas disputas de poder, de bilhões de dólares trocando de mãos, fortunas e reputações sendo construídas e destruídas. 
Foi nesse processo complexo que emergira Vladmir Putin e outros personagens centrais da história contemporânea - leia o livro para saber mais. Valeu muito a experiência de conhecer pessoalmente e debater com alguns desse líderes em San Petesburgo. Ajudou a diminuir a minha ignorância.

Brasil, país do futuro

Nesta semana que está chegando ao fim, a Alemanha teve uma eleição singular. Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, a extrema direita terá representação no Bundestag. E não será pouca coisa, a "Alternativa para a Alemanha" terá 93 assentos, constituindo-se na terceira bancada. É muito.
Parece que o vírus que faz com que as pessoas pensem e olhem o futuro olhando pelo retrovisor se espalhou com força na terra do povo da floresta. Mas não só lá, como bem ilustra nosso conturbado Brasil. Aliás, mais Pindorama, acredito.
Mas Pindorama tem lá suas oportunidades. Muitas, para quem souber navegar a imensa confusão que é o País - criada por nós, nossa responsabilidade, diga-se.
O mundo ocidental envelhece a passos largos e o crescimento populacional no mundo virá da África e da Ásia - veja este gráfico impressionante comparando a evolução da população nos diferentes continentes. A população ocidental envelhece. A população brasileira envelhece. Está terminando o bônus demográfico e estamos nos tornando um país de idosos. Há desafios e oportunidades associadas a esse fenômeno.
Esta edição da The Economist, trouxe uma matéria especial sobre aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, dando origem um boom no dito silver market e originando outras oportunidades de negócios. No Brasil, não temos infraestruturas e produtos que são encontrados em mercados maduros, há uma variedade de necessidades não atendidas. Eis aí uma oportunidade de negócios e crescimento.
Tenho escutado cada vez mais de amigos que o Brasil é e sempre será o país do futuro. Há alguns anos, escutei essa mesma frase de um sábio, super culto, inteligente e sarcástico representante do silver market nos EUA. Achei exagerado, já não tenho certeza.
Talvez nosso futuro tenha mais a ver com o passado do que pensamos e pensávamos. Talvez valha investir. Vale pensar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Fantasia do Oriente

Sabemos tão pouco sobre o que acontece e aconteceu em lugares distantes. Alguns não tão distantes - como a Andaluzia, mas apagados pela nossa história cristã. Outros mais - como to o vasto Mundo Árabe, pouco conhecidos no Ocidente, especialmente nestes tempos de preconceitos e notícias falsas.
Pouco sabemos e reconhecemos também que muito do que temos e sabemos hoje teve origem no Mundo Árabe - da matemática à astronomia. Para quem se interessar e um dia for a Jeddah: o KAUST tem um Museu da Ciência e Tecnologia no Islã que é muito legal. 
Mas não só ciência vem de lá, também ficção, com toques de ciência e fantasia. Precisamos mais Islamic Sci-FiVale conhecer Yaqteenya.

domingo, 6 de agosto de 2017

Beagle

“O amor por todas as criaturas é o atributo mais nobre do homem.” 
Charles Darwin

"Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (...) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento."
― Charles Darwin

Vale a pena pensar. Para inspirar, vale passar os olhos por esta edição especial da Time, revisada em 2017.

domingo, 30 de abril de 2017

Hoje, um tweet

A ONU foi criada em 1945, logo após a 2a Guerra Mundial. Até hoje, serviu para muita coisa. Impediu que uma 3a Guerra Mundial acontecesse. Até hoje.
Muita coisa mudou. Não estávamos na era digital em 1945. A população mundial não chegava a 2,5 bilhões - hoje já somos mais de 7.5 bilhões. O nível do mar não subia como hoje e não assistíamos o Ártico derreter. Muitas das tecnologias que fazem parte indissociável da nossa vida contemporânea não existiam - inclusive a que permite escrever este blog - e a tecnologia não expandia na velocidade atual, estava longe do que vemos hoje.
Até hoje, o sistema internacional nos serviu. Na contemporaneidade, um tweet pode levar a 3a Guerra Mundial. Como evitaremos? Como lidaremos com isso?
Precisamos de um novo sistema. Aliás... se voce tiver a solução, há um prêmio para isso. Vale pensar. Mais do que isso, vale agir.

Cyber ralação

O paradigma de ensinar e aprender está mudando. Aliás, precisa mudar. Ainda hoje, de forma geral, os professores do século XX ensinam (?) as crianças - grandes e pequenas, de todas as idades - do século XXI com os métodos do século XIX. 
Uma das promessas é a educação personalizada, individualizada, no ritmo de cada um, com conteúdo específico para cada "estudante". Como fazer isso? Com uso de Inteligência Artificial - AI, em inglês.
A AI tem estado por aí há um bom tempo. Contudo, o crescimento exponencial do poder de computação permitiu que novos algoritmos pudessem ser executados de forma rápida e barata, especialmente os algoritmos de "aprendizado", (no geral baseados em redes neurais), como machine learning and deep learning. A partir daí, foi um pulo rápido para a AI virar ao mesmo tempo panacéia e ameaça. Admirável mundo novo, de muitas oportunidades e grandes desafios.
Um dos grandes desafios, ainda hoje, é fazer com que robôs caminhem - ou aprendam a caminhar como nós, bípedes que escrevem e leem blogs. Esta edição (antiga, de julho 2016) da Scientific American traz uma matéria interessante sobre os desafios para construir e fazer com que robôs aprendam a caminhar. Ainda terão que ralar muitos esses bípedes de metal para fazer o que fazemos.
Mas pelo menos os cyber dogs estão avançando! Nesta semana que passou, um dos fundadores da Boston Dynamics, Marc Raibert, fez apresentação no TED 2017 junto com o seu SpotMini. Nem só cyber bichos assustadores eles constróem. Por detrás dessas máquinas todas, está a #AI. 
Em tempo, se você quiser, pode construir suas soluções baseadas em AI usando plataformas que estão disponíveis na web, como esta criada pelo Google. AI está aqui para ficar. Cada vez mais, será parte de nossa vida. Cada vez mais será um serviço.
No final da história, ainda há um caminho a percorrer e aprender, em especial para nós, humanos. Precisaremos aprender a entender e lidar com essas máquinas e sistemas que fazem, cada vez mais coisas que não entendemos de onde vem e porque. Será preciso muita ralação para lidar com esta nova era das máquinas. Vale a pena aprender a respeito.