domingo, 21 de outubro de 2012

O caminho do meio


Quanta simplificação e quanta bobagem se escreve sobre economia no Brasil. Quanto lugar comum. Quanto desconhecimento da história. Quanto blá, blá, blá sobre os limites teóricos do crescimento e os cálculos dos especialistas (no que mesmo?) de plantão, os mercados livres e a sua auto-regulação, a importância de se manter os juros altos para minimizar o o risco da volta da inflanção e a necessidade do Estado ficar ausente das atividades produtivas.
Valham-me Schumpeter, Marx, Braudel, Nelson, Keynes!
Vale ler algo inteligente de vez em quando. Pena que raramente coisas desse tipo estão na mídia econômica que escreve e fala (pior ainda neste caso...) em Português....
Pois bem, esta edição deThe Economist (que como todos sabemos é liberal, mas certamente não mal informada ou dada a superficialidades e banalidades...) traz um bom debate sobre o papel do estado nas economias modernas (modernas?). A crise de 2008, 2009, 2010, 2011, 2012... (ufa... até quando?) evidenciou algo que já deveríamos saber, e que muita gente ainda não vê: existem vários caminhos para o desenvolvimento e o sucesso econômico de uma nação, mas nenhum desses é um caminho no qual o mercado resolve tudo!
Ah... a tal mão invisível... aquela danada! Entrou no bolso sem ser notada e bateu a carteira de muita gente por aí! Em especial gente que já era pobre!
Precisamos de regulação e livre iniciativa, investimento público e privado, empreendedorismo privado e público, geração de riqueza e sua distribuição, preços competitivos e bons salários, disposição para o risco e proteção contra o risco, governo e mercado (e muita, muita, sociedade civil)!
Foi assim na crise de 1930. Os EUA botaram a economia nos trilhos (literalmente...) com muito investimento público, com regulação dos mercados e com a criação de garantias para indivíduos, empresas e a sociedade. Há um belo livro de David Kennedy a respeito: Freedom from Fear - Kennedy ganhou o Pulitzer em 2000 por essa obra. Recomendor ler!
Países em estágios distintos de desenvolvimento requerem participações distintas do poder público. Cada país tem um arranjo político e social próprio e possui um ambiente institucional único - as regras do jogo não são as mesmas para todos. Os estoques de recursos naturais, competências e capitais diferem de país para país, e entre momentos históricos distintos de um mesmo país. Logo: não existe a solução única para o problema do desenvolvimento... é uma miragem acreditar que há 'the one best way'.
Mas temos pistas! Cada vez mais! Uma delas é que precisamos de uma atuação que combina estado e mercado. O caminho é o caminho do meio!
Como a capa da revista é sobre China comento: a China só é modelo para a China, mas serve para falsear algumas hipóteses liberais. Aliás, pensar em um esquema popperiano dedutivo seria uma boa para quem pensa que a Economia ensinada nos manuais de economia é ciência. Na verdade, não se pode separar economia de história, sociologia, política... sob pena de se cair, como de costume, em uma simplificação barata e ideias abstratas e sem sentido, descoladas da realidade.
Vale que todos reflitam. Especialmente quem estuda ou fala sobre economia!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fácil

Fácil... estremamente fácil...
É muito fácil fazer um website. Já fez o seu?
Dê uma olhada no meu: flavors.me/robertoalvarez.
Eu pensava que HTML era (será que é? será que pode ser?) uma linguagem mais estruturada, mas é basicamente uma linguagem de descrição de página.
Vale consultar, para leigos que querem brincar ou empreender!


The US

No período posterior à crise de 1929, os Estados Unidos colocaram em funcionamento uma série de dispositivos e instituições que criaram mercados internos, garantiram direitos aos trabalhadores e reduziram riscos... para o capital, para a vida das pessoas.
Mas a história mudou a partir de 1973.... e a mudança ganhou força nos anos 80, 90 e 2000. Entre 1979 e 2004  a renda média por família nos EUA cresceu 27%, mas menos de 3/4 das famílias tiveram crescimento de renda maior ou igual que a média - somente aqueles acima do percentil 75. Em resumo... os mais ricos ficaram proporcionalmente mais ricos.
Nos EUA, são acaloradas as discussões sobre a classe média, a oferta de trabalhadores qualificados de nível médio, a manufatura, a geração de empregos etc., vide a campanha eleitoral deste ano. A 'América' do sonho americano era essencialmente um País de classe média (que é, por sí, um termo impreciso), com oportunidades para a transformação da vida de pessoas e famílias a partir do ingresso no mercado de trabalho e na indústria. Hoje a história é diferente... e retomar essa história é assunto para debate.
Lembro de uma pergunta feita por um dos painelistas em um debate/evento que participei não faz muito nos EUA: "quem dentre nós [eles, americanos...], ou entre aqueles conhecemos quer que seu filho seja um trabalhador na indústria"? Boa pergunta!
É óbvio que a resposta à pergunta anterior é contextual! Abaixo do Equador, trabalhar na indústria é o sonho de muita gente, inclusive aqui no Brasil. É a oportunidade de uma vida melhor. Realidades diferentes.... 
Guardadas todas as proporções e feitas muitas ressalvas, pode-se arriscar dizer que vivemos hoje um momento de inclusão e criação de mercados internos que guarda alguma semelhança com as décadas de 50 e 60 nos EUA. Desde 2003, 40 milhões de brasileiros deixaram a pobreza (passaram para cima da linha da pobreza). Contudo, ainda não criamos a base industrial, científica, tecnológica e institucional que permitiu aos EUA um grande salto no século passado. 
Resumindo: as estruturas sociais mudam ao longo do tempo e dos ciclos de desenvolvimento econômico, trazendo novos desafios para cada sociedade. Que saibamos enfrentar os nossos!

sábado, 2 de junho de 2012

Para rir (e aprender)

Diverti-me bastante com este livro. Alguns 'diálogos' são ótimos, divertidos, e os exercícios mentalmente instigantes.
Dá para exercitar bem a cachola e é uma boa dica para quem está procurando um emprego em uma consultoria, empresa de tecnologia ou grande corporação (americana?).
Ponha-se à prova! Are you smart enough? Or... are they smart in asking those questions? 

Brasil Tech 50

Quais seriam as empresas listadas se essa publicação fosse brasileira? Será que temos massa crítica? Será que alguma organização brasileira teria interesse e condições de editar algo semelhante? Qual?
Recorrendo a uma das empresas (o famigerado Google) mais inovadoras listadas na publicação do MIT, observa-se que uma busca por "empresas inovadoras Brasil" traz resultados qualitativamente distintos daqueles que aparecem na busca por "innovative companies US". No caso americano, surgem vários rankings; no brasileiro, nem tanto.
O ranking da Exame é na verdade uma reprodução daquele elaborado pela (boa) revista americana FastCompany. O ranking da Época Negócios é diferente, é original. Uma peculiaridade... das 20 mais inovadoras, somente 4 são brasileiras (de capital/origem brasileira), sendo que a primeira dessas a entrar no ranking é a Vale, em oitavo lugar. É um retrato do nosso ecossistema de inovação... ainda em construção, com vários 'buracos'.
E há o ranking/prêmio da Finep! Já tradicional (veja os premiados em edições anteriores), este ano traz novidades. Por exemplo: os prêmios passam a ser em dinheiro! As inscrições estão abertas até meados de agosto! Alguém se interessa?
Algum outro? Alguém conhece? Avise!
Afinal... quais são as companhias mais inovadoras do Brasil? São sempre as mesmas ou há algo de novo?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Brasileiros

Conhecemos pouco o Brasil.
Esta edição da Piauí traz um texto da Fernanda Torres sobre a sua vivência/experiência pessoal durante as filmagens de Quarup, que assisti há muito tempo e, francamente, sobre o qual nem tenho lembrança. Bom texto, escrito a partir do 'pretexto' de um novo filme na floresta: Xingu
É um excelente filme. Sobre um Brasil que todos deveríamos conhecer, mas poucos conhecemos. Saí do filme pensando... "esses caras foram heróis brasileiros". Valeria conhecer melhor a história (deles, nossa...).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Power girls

As mulheres tem cada vez mais poder no mundo. Certamente o Século XXI será o Século das mulheres. Não é por acaso que somos governados por uma mulher
E também o século da Ásia, se tudo continuar no ritmo atual. Prevê-se que a China deverá passar os EUA e se tornar a maior economia do mundo dentro de alguns anos
Esta edição da Newsweek combina os dois temas: mulheres poderosas e empreendedoras e Ásia.
Você está pronto para viver nesse mundo?
Prepare-se! O futurou chegou.

Urbanidades

Adoro cidades. Cidades de verdade..... que me perdoem os brasilienses. 
Tem coisas que só acontecem em cidades de verdade, inquietas, que pulsam, onde se falam muitas línguas e sotaques, que atraem gente de diferentes lugares, gente criativa, a fim de fazer acontecer.
O Brasil foi destino da maior emigração já realizada por cidadãos japoneses. Muito deles se estabeleceram em São Paulo. Só em São Paulo é possível encontrar um movimento organizado de Sumô com expressão e que até mesmo 'exporta' lutadores para o Oriente. Uma parte dessa história está na edição de Nov/2011 da Inked.
Aliás... só São Paulo para atrair tipos criativos e essencialmente urbanos como Mário Bortolotto, personagem de outra matéria da Revista.
Já pensou em viver em São Paulo? Eu já!

domingo, 15 de abril de 2012

Startups - ferramentas para pensar e fazer

A nova onda de startups de tecnologia no Brasil segue uma linha bem distinta das décadas de 1980, 1900 e 2000, bem melhor. Temos empreendedores cada vez mais qualificados, um ecossistema que se aprimora a cada dia e recursos.
Isso ocorre em um novo cenário global, com novas ferramentas e melhores conceitos. A forma como se entende o 'projeto de negócios' foi reinventada por caras como Alex Osterwalder.
Além de ferramentas de projeto simples e efetivas, uma nova forma de pensar o 'projeto/implantação' de empresas passa a ser hegemônica no meio das startups tecnológicas, em especial para negócios internet. Essa nova forma de pensar combina as lógicas de lean startup com customer development
Como esse quadro de conceitos e ferramentas, dá-se um passo firme no sentido de fazer com que a criação de startups tenha alguma lógica científica (formular, testar e refazer hipóteses de negócios...) e possa ser suportada por ferramentas fáceis e poderosas.
O business canvas é a ferramenta mais poderosa para codificar modelos de negócios que conheço, seja para projetá-los como para entendê-los.  O Analista de Modelos de Negócios é excelente para quem quer compreender essa ferramenta e 'quebrar o código' de vários negócios que estão aí no mercado.
Vale empreender... a leitura e outros negócios!

Nas sombras

Em 1984 li "A Ilha", obra escrita com maestria por Fernando Morais. Influenciou a minha forma de ver o mundo. 
Se os valores de liberdade e justiça associados à Revolução Cubana inspiraram os sonhos de muitos ao redor do mundo, a realidade do regime que se seguiu sempre foi controversa, tensa, complexa e cheia de altos e baixos. A maior parte dessa história não é conhecida, não aparece na grande mídia, que se resume a repetir chavões e visitar lugares comuns. Esta 'reportagem' conta um capítulo recente e obscuro dessa história. 
Há muito mais entre Havana e Miami do que pode se supor.... e o que normalmente se vê.
Vale ler, para ver como o mundo é mais complexo do que se pode pensar assistindo o Fantástico!
Não é fantástico este mundo?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Energias limpas, resultados um tanto enuviados

Acredito que temos a necessidade (e uma obrigação para com as gerações futuras) de atacar as causas do aquecimento global.
Há um enorme burburinho sobre tecnologias limpas no mundo contemporâneo. Até agora, contudo, os resultados estão aquém do que se poderia esperar.
Esta edição da Wired traz uma matéria que faz um balanço das 'promessas' de diferentes tipos de tecnologias para energias limpas e dos resultados realmente obtidos até o momento. 
Apesar de muito focada no mercado americano, é uma boa análise e destaca duas questões chaves: (i) incentivos de curto x longo prazo e as dinâmicas subjacentes e (ii) as relações sistêmicas entre as diferentes fontes de energia, regulação e o domínio de tecnologias por diferentes players globais.
O Brasil tem liderança em energias renováveis, que respondem por 46% da matriz energética. É líder no uso de renováveis, mas está ficando para trás quando o assunto é liderança em inovação para energias limpas, aponta estudo do WWF. É um alerta. Temos avançado muito na expansão da geração eólica e lançamos o Plano Nacional de Eficiência Energética, por exemplo, mas ainda não logramos conectar da maneira necessária esses esforços com o desenvolvimento industrial.
Que bons e inovadores ventos possam soprar para indústria também. Vale botar energia nisso!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Política

"A guerra é a continuação da política por outros meios".
Genial esse Clausewitz!
Leitura antiga este livro. Na minha pacífica opinião, sempre atual. Menos pelo que diz respeito a guerra em si e, muito mais, pela capacidade singular de análise sistêmica do autor.
Pensamento sistêmico da melhor qualidade.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ousadia

Li "O Erro de Descartes", de Antonio Damásio, há mais de 10 anos. Gostei bastante. Essa coisa chata de separar corpo e mente, colocar ideias, pessoas, conceitos, funções etc. em caixinhas estanques eu sempre soube que era furada... Gostei de saber um pouco mais sobre um campo do conhecimento (na verdade, dos conhecimentos) chamado de neurociências. E gostei mesmo de descobrir um pouco sobre como pensamos o que pensamos.
Sempre penso isso: como foi que eu pensei o que pensei? Falando nisso: como será que eu pensei neste post?
Miguel Nicolelis é um grande contador de histórias, um magnífico palestrante. Em 18 de setembro de 2011, realizamos um Brazil-US Innovation Lab na Duke University. A palestra dele foi ótima, arrebatou os americanos. Pergunta de vários: como podemos fazer para ter nos EUA um portfólio de projetos de educação e tecnologia como que está sendo implantado em Macaíba?
Em "Muito Além do Nosso Eu", relata os avanços das suas pesquisas com interfaces cérebro-máquina (ICM) e projeta possíveis desdobramentos futuros. As possibilidades são fantásticas e, talvez, assustadoras (o que será das nossas mentes quando libertas dos limites dos nossos corpos?). Vale ler, registrar (a minha mente, pelo menos, ainda depende do meu corpo... e também do papel, do lápis, do computador, dos arquivos na DropBox...) e conferir depois.
O projeto de maior visibilidade visa fazer que uma criança paraplégica/tetraplégica possa dar o pontapé inicial à Copa de 2014 no Brasil, usando um exoesqueleto, comandado pelo pensamento. A ideia é ousada. E os impactos possíveis são enormes - para a criança, para as neurociências, para o Brasil, para a indústria, para o Miguel Nicolelis e seu time...
Se Damásio foi para um caminho soft - tomada de decisões, Nicolelis desbrava a parte mais dura da floresta das neurociências. Conseguiu reunir gente interessada em acompanhá-lo na empreitada no mundo e no Brasil. Está a empreender.
Um legado já fica: é tempo de ousadia para fazer diferente. E uma lição: comunicar bem é essencial para esse jogo.
Recomendo pensar nisso.

Para pensar no Brasil

A Coréia do Sul tinha renda per capita de cerca de US$ 80 em 1960. Hoje, é de cerca de US$ 22,000.00. 
Nomes como Samsung (que marca é o computador, tablet ou telefone celular que você está usando para ler este post?), LG, Hyundai, SK, Kia etc. eram desconhecidos no Ocidente ('empresinhas'?). Esse certamente não é mais o caso.
A Coréia do Sul foi o único País na contemporaneidade que conseguiu sair da pobreza quase absoluta e se tornar desenvolvido. Feito notável, instigador, desafiador, singular.
Esta é uma ótima obra (disponível para download) para entender o porquê dessa transformação. De todas que li sobre o tema, foi a que mais apreciei. Recomendo, mesmo!
Maldaner escreveu com rigor, maestria nas palavras e paixão. Paixão pelo Brasil!

Fazer coisas, gerar valor

O (belo e mobilizador...) discurso do presidente Obama em Osawatomie (Kansas), em 6 de dezembro de 2011, e o State of the Union deste ano não deixam dúvidas: manufatura, inovação e capacidade tecnológica são temas de alta relevância para a agenda americana contemporânea. 
Diz Obama no State of the Union: "Ask yourselves what you can do to bring jobs back to your country, and your country will do everything we can to help you succeed". 
Manufatura gera empregos, renda, oportunidades de ascensão social... e demanda (puxa o desenvolvimento de) tecnologia, indústrias de suporte, gente qualificada etc. O poder público americano tem papel chave nesse jogo. Aliás... desde Alexander Hamilton foi assim.... ou alguém acha que não? Leiam o Report on Manufactures.
Este não é o meu favorito dentre os reports do Council on Competitiveness, mas é o mais contemporâneo e contém uma bela síntese das 'questões na agenda' e de propostas para a indústria americana. Resulta de quase dois anos de discussões, muitas reuniões e uma extensa série de seminários com empresas, universidades e trabalhadores. É um tipo de circuito de diálogo, reflexão e proposição de idéias elaborado e denso, que ainda precisamos desenvolver aqui no Brasil.
Dois destaques... 
Primeiro, o nexo de que manufatura e inovação andam de mãos dadas: quem perder a capacidade de manufatura, cedo ou tarde, perderá a capacidade de inovação. 
Segundo, a ideia de que o apoio público e fundamental para a 'virada' da indústria americana. Muito do que aqui pouco se compreende (financiamento público, investimento em ciência e tecnologia, gastos com pesquisa e desenvolvimento etc.), está muito claro nas propostas do Make. No campo das propostas e ações, vale marcar o exemplo dos consórcios público-privados para viabilizar o acesso a competências em tecnologia de manufatura e infraestrutura de computação de alta performance para empresas de pequeno e médio porte. Vejam um exemplo articulado pelo Council, com financiamento do Governo dos EUA (via a EDA), governo estadual, empresas, universidade (Purdue).
Já tinha escutado um discurso enfático do Jeff Immelt sobre a importância da manufatura para os EAU. Jeff Immelt, diga-se de passagem, que além de ser CEO da GE também coordena o Comitê de Empregos e Competitividade do Governo Obama. Aliás... Comitê esse que, em novembro de 2011, apresentou ao Presidente dos EUA propostas para a recuperação da manufatura que incluem financiamento a plantas piloto, subvenção econômica, extensionismo tecnológico, apoio às exportações etc.
Vale ler e pensar sobre o Brasil e a nossa política industrial.



Brasileiros no mundo

Conforme estimativa do MRE, existem mais de 2,5 milhões de brasileiros morando fora de Pindorama.
Muitos dos brasileiros lá fora estão organizados em comunidades, clubes, grupos de capoeira! Tem de tudo.... veja aqui!
Mas falta uma coisa: uma rede diáspora estruturada para a promoção de negócios, capaz de suportar empreendedores brasileiros, lá fora e aqui no País.
Esta edição de novembro de 2011 da The Economist traz boas matérias sobre 'diásporas' (sob a ótica dos negócios e da economia), especialmente a indiana e a chinesa. Vários exemplos sobre como indianos e chineses no exterior ajudam (i) companhias daqueles países a vender e/ou entrar em vários mercados internacionais e (ii) a atrair investimentos internacionais.
Um dado interessante (não está na The Economist, li em um jornal de Washington faz tempo): 42% das empresas de biotecnologia da região de Washington (DC, EUA) tem participação indiana.
Mas afinal de contas.... para que serviria uma rede diáspora brasileira articulada? Para gerar negócios para o Brasil e os brasileiros.... Integrantes da rede poderiam:
1. fazer o mentoring de empresas brasileiras que queiram acessar outros mercados (mercados nos quais os membros da diáspora trabalham/vivem);
2. ajudar investidores de outros países a identificar oportunidades e interlocutores (possíveis parceiros de negócios etc.) no Brasil;
3. contribuir para projetos de tecnologia no Brasil.
A Índia tem uma iniciativa pública para reconhecer indianos no exterior. Conta também com uma poderosa rede de empreendedores (TiE) voltada à promoção de negócios em áreas tecnológicas, organizada em dezenas de seções (chapters), presentes em 14 países. O Brasil ainda não! Já é tempo! Brasileiros no mundo não faltam!
Brasileiros ocupam posições executivas em grandes corporações de tecnologia globais. Brasileiros são empreendedores de tecnologia em ambientes dinâmicos. Brasileiros são professores, pesquisadores e cientistas seniores em universidades e organizações tecnológicas relevantes mundo a fora. Contudo, esse pessoal não está conectado de forma estruturada ao País e, no geral, somente reconhecemos, premiamos, reverenciamos, valorizamos e 'badalamos' artistas, modelos e esportistas (vide a lista de membros da diáspora brasileira na Wikipedia). Como contraste, vale olhar a lista da diáspora chinesa na Wikipedia.
Uma rede diáspora brasileira, para funcionar, deveria (i) conectar empreendedores, cientistas e executivos brasileiros no exterior, (ii) gerar oportunidades de negócios e projetos para os membros da diáspora e (iii) reconhecer aqueles que mais se destacam.
Por enquanto, temos a iniciativa de negócios do Flavio Grynszpan, no início, e uma tentativa feita pela ABDI em 2010 de viabilizar a montagem de uma rede diáspora brasileira, em conjunto com outros órgãos públicos.
Vamos ver o que será possível e o que acontecerá daqui para a frente.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Existir em Lisboa… viver em qualquer lugar.

Lisboa foi um fantástica surpresa para o início de 2012. Vale a visita. Cidade bela, agradável, amigável, aprazível... come-se, bebe-se, vive-se bem!
Este livro foi surpresa ainda maior! Não foi escrito por um português (aliás... não foi escrito por quem parece ter sido escrito...) e nem tem a ver diretamente com a cidade. Também não é sobre a alma portuguesa, como diz a propaganda da edição portuguesa. É universal, Lisboa é só cenário.

É sobre o que somos. O que queremos. O que pensamos ser. Cada um de nós. Vale pensar.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pensar, modelar, empreender (com estilo!)

Talvez seja exagero... mas creio que este é o melhor livro de negócios que já encontrei. Inteligente, prático, simples e bom de ler, agradável. Sofisticado nas idéias, é um livro adequado para quem está a fim de fazer, empreender, botar a mão na massa! O que dá relevo ao livro é a conexão entre o (sofisticado) desenho conceitual de um negócio (já pensaram que negócios de sucesso são 'conceitualmente superiores' aos seus concorrentes.... e, é claro, tem boa execução) com um conjunto de ferramentas simples e poderosas para 'fazer acontecer'. O livro tem um site e é possível baixar aplicativo na Apple Store.
Recomendo fazer!

E os outros?

Os Estados Unidos são a maior potência econômica, militar e tecnológica da atualidade (faz tempo). É de certo modo estranho que ser competitivo seja uma preocupação americana. Logo os EUA? Preocupam-se em ser competitivos? For sure! E esse é o tema central da edição de Jul/Ago da Foreign Affairs.
O debate político americano dos dias de hoje revela uma série de fissuras naquela Nação antes difíceis de se imaginar - quem pensaria que Republicanos e Democratas travariam uma queda de braço capaz de levar a uma 'crise da dívida americana' e lançar dúvidas sobre a capacidade americana de honrar o pagamento de seus títulos? Disputas políticas à parte, são as transformações de longo prazo na economia mundial que podem por em xeque a 'competitividade' dos EUA.
A entrada em cena na economia mundial dos países emergentes  consigo importantes implicações. Michael Spence revela que dos empregos criados entre 1990 e 2008 nos EUA, 98% foram em setores de non tradables. Por outro lado, a produtividade no período cresceu quatro vezes mais nos tradables do que para os non tradables. Assim, a manufatura perde empregos de nível médio e baixo de qualificação, que são 'compensados' por posições novas em serviços (com salários mais baixos), em áreas menos produtivas. Resumo da história: os EUA concentram renda no emprego e mostram uma competitividade ameaçada na manufatura. A relocalização da produção para a China aumenta a demanda por profissionais altamente qualificados nos EUA, mas faz cair a renda do 'emprego médio' - cresce a desigualdade na Terra do Tio Sam.
Os Estados Unidos são a nação mais inovadora do mundo. Sempre contaram com a força do seu mercado interno, a engenhosidade do seu povo e a força de suas empresas para crescer a sua economia. Sempre tiveram, também, uma forcinha de fora... seja dos mercados ávidos por produtos americanos como dos estudantes, profissionais e pesquisadores que pra lá se dirigiram em busca de qualificação e oportunidades.
Na nova geografia que hoje se desenha, há um deslocamento importante da produção de conhecimento para os países emergentes, especialmente para a Ásia. Desenvolvem-se as estruturas de formação de recursos humanos e pesquisa dos emergentes e as empresas desses países crescem e ganham musculatura internacional. Embora prematura, vale a pergunta: até quando os EUA manterão a hegemonia na produção de conhecimento e na atração/formação dos melhores quadros técnicos?
A combinação de uma nova geografia da manufatura (com os efeitos já vistos sobre o emprego) com uma nova distribuição mundial dos estoques de recursos humanos e das capacidades de formação de pessoas e pesquisa é potencialmente preocupante para a competitividade americana. Some-se a isso a questão da energia, chave para todas as economias, especialmente aquela líder no uso de fontes não renováveis. Esse conjunto de aspectos e as preocupações que deles decorrem constituem a razão de ser de organizações como o Council on Competitiveness (surgida em tempos de outras ameaças, em meados da década de 1980), dentre outras, e motivaram a criação do Comitê de Competitividade e Emprego do Governo Obama, neste ano de 2011.
Se os EUA se preocupam com competitividade... vale perguntar: e os outros? 
Vale pensar! E agir.... 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pais

Este é um ótimo livro para crianças de todas as idades. Recomendo! 
Diverti-me bastante!
Pais... presenteiem seus filhos e abram uma janela para o mundo para eles. Tá bem... micróbio é coisa pequena, numa janelhinha eles já passam... mas por essa pequena fresta pode se abrir um mundo novo de curiosidade, conhecimento, vida, diversão, descoberta, trabalho, aprendizagem, transformação da realidade...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desafios e oportunidades

No mundo inteiro, especialmente nos países ao norte do Equador (líderes em inovação), é comum que encontremos, cada vez mais, as iniciativas de promoção da inovação organizadas a partir de 'plataformas'. Tais plataformas são definidas a partir de problemas/desafios, não de setores industriais. Para resolver um determinado 'problema/desafio', são necessárias diferentes tecnologias, produzidas por vários setores econômicos. Suécia, Alemanha e
Reino Unido são países que adotam estratégias de promoção a inovação focadas em desafio/problemas. 
O Brasil ensaia avanços nessa direção, a partir do Plano Brasil Maior e da vindoura Estratégia nacional de Ciência, tecnologia e inovação (ENCTI) 2011-2014.
Dentre os 'desafios' que várias estratégias nacionais incluem está a saúde. Prover serviços de saúde requer soluções em diferentes domínios, tais como tecnologia da informação, gestão, fármacos, logística, semicondutores, eletrônica, equipamentos médicos, química etc.
Esta edição da Pesquisa Fapesp traz uma série de matérias relativas a tecnologias aplicadas no campo da saúde. A essas, soma-se uma boa entrevista com Flavio Alterthum. Dessa, dois pontos chamaram minha atenção.
Primeiro, a beleza, a necessidade e as possibilidades reais de um trabalho de divulgação científica para crianças. No geral, o ensino de ciências é chato e descolado da realidade, sem 'perguntas'... Por isso muita gente não gosta, não se interessa... Alterthum lançou um (primeiro) livro para crianças, baseado em perguntas das filhas. Aqui em casa já compramos o "Pai, o que é micróbio?"!!!
Segundo, a enorme diferença que há entre produzir conhecimento e faze-lo render economicamente. Na década de 1980, o pesquisador depositou nos EUA a patente para um processo biológico que aumenta o rendimento da produção de etanol - a patente foi concedida em 1991. Até hoje não foi utilizada comercialmente. O que falta? Uma estrutura/plataforma de negócios.
Boa leitura! E bons negócios para quem souber botar conhecimento para render... inclusive com livros para crianças!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pra viver de amor

Na curva dos quarenta, vê-se a linha de chegada à frente, ainda que ao longe – muitos imaginam. Nesta corrida da vida, penso: o que mais dá para fazer no retão final? Em que lugar dá para chegar? Angústia e vontade se digladiam no interior do meu ser.
Inspiradora a leitura de mais um livro do colombiano. Faz pensar na vida. Dá para rir, pensar, sentir.
Com ou sem brisas do Caribe, Alíseos, Mistral, Minuano ou outro vento qualquer... abra a janela, deixe o ar entrar, refresque as idéias, ponha o coração pra bater e o corpo pra se mexer.
Recomendo viver... e vou tentando por aqui!

Vamos decolar?!?!!

Nasci na era espacial, um ano depois do homem pisar na lua (minha avó paterna nunca acreditou nessa história, mas eu sim...). Entusiasmado, assisti  na TV à série Cosmos, apresentada pelo inspirador Carl Segan – encantei-me e quis virar cientista. Vibrei com ET quando já beirava a adolescência (e gostei do brinquedo no parque de Orlando quando lá estive, bem mais crescidinho). Sonhava e desenhava foguetes e naves espaciais quando pequeno. Adorei conhecer o INPE, fascinei-me como uma criança com o National Aerospace Museum, no National Mall americano. Fui (sou?) fã do seriado Arquivo X, maravilhei-me sempre com as estrelas no céu na Campanha do Rio Grande do Sul e desde muito acreditei que “há algo lá fora”.
A data na qual escrevi este post tem grande simbolismo. Foi o dia do lançamento derradeiro do space shuttle da NASA, que parte em sua última missão. Chega ao fim uma era.
A The Economist (ainda vou assinar... por enquanto só leio os exemplares que pego em aviões...) traz um artigo e duas matérias sobre o fim do programa do ônibus espacial. Existem três questões a analisar nessa história: o sentido simbólico do programa, a sua capacidade de impactar a economia americana e a hegemonia dos EUA no mundo contemporâneo (e o mundo novo que esta aí a despontar, com o deslocamento do centro geopolítico para a Ásia).
Não vou discutir o sentido simbólico do programa. A conquista (na verdade, tratou-se de uma viagenzinha curta, não chegamos à esquina do quarteirão que habitamos) do espaço foi/é uma aventura fantástica da humanidade. Deixo a imaginação viajar mais longe que a Voyager. A questão da The Economist é: será que essa aventura ainda tem o charme de antes? É capaz de mobilizar corações (mais) e mentes (menos)?
Agora... é indubitável o impacto econômico do programa espacial americano para aquele País. De um lado, pelos elevados gastos (na década de 60 o Programa Apollo chegou a consumir mais que 4% do orçamento federal americano). De outro, pelos resultados: milhares de novas tecnologias e empresas criadas (e financiadas com recursos públicos americanos), que impulsionaram a inovação em diferentes domínios dos negócios, empregos, estímulo à pesquisa etc. Em suma, todo um ecossistema que muito contribuiu (e contribui para a liderança tecnológica americana).
Se os EUA desmobilizam o programa do ônibus espacial e existem dúvidas sobre o futuro da NASA (enquanto isso, o programa espacial militar cresce, informação da mesma The Economist), outros países ‘põem as manguinhas de fora’; ou melhor, os astronautas e taikonautas fora de da Terra. Em 2025 os chineses planejam colocar um taikonauta na Lua – não assisti a chegada dos americanos, talvez testemunhe à distância a Lua inaugurar seu primeiro comitê do Partido Comunista Chinês. Até lá, eles comprarão muitas empresas aqui na Terra, americanas, brasileiras, européias – outra matéria da Revista é sobre este assunto.
Pensando em tecnologia, empresas e o impacto possível de projetos espaciais, lembro-me do nosso Brasil. Penso no Brasil.... 
Nosso programa espacial é bastante limitado, não temos gigantes de tecnologia (eletrônica, bens de capital...), não dispomos de recursos nos montantes vistos em outros países, perdemos capacitações com a explosão da base de Alcântara etc. 
Mas, saindo do céu e indo para o fundo do mar, temos uma oportunidade singular: explorar os recursos do pré-sal, de forma coordenada com a promoção da indústria brasileira e a melhoria da sua capacidade de engenharia, de gestão de negócios, de inovação.
Pensando na questão que a The Economist coloca, pode-se argumentar que o pré-sal não tem o charme do espaço. É evidente que não! Mas a exploração do pré-sal será uma bela aventura (não só) tecnológica também. Irá requerer novas soluções e competências.
A Petrobrás tem plano de investimentos de mais de US$ 224 bi para os próximos anos. Certa vez o ex-presidente Lula disse: “o pré-sal é a NASA do Brasil”. Boa! É isso mesmo... ou melhor, pode ser. Caberá a nós construirmos as condições para que isso possa se tornar realidade. Aí então, o Brasil poderá pensar em vôos mais altos, mesmo que no fundo do mar. Aí sim, os nossos sonhos de desenvolvimento e um País mais próspero e justo poderão decolar.
Vale a pena tentar, voar, submergir!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

De volta ao passado

Montevideo tem seus encantos. Um tanto melancólicos, digo, mas que valem ser conhecidos.
Embora não seja Buenos Aires, capital sulamericana dos cafés, do outro lado do Prata  também se encontra uma vasta coleção de cafés, bares, restaurantes. Este livro conta a história de alguns deles.
Mas não se engane... não é um guia. É um livro de resgate e registro, resgate da memória de locais que tiveram importância na vida política, cultural, urbana e cidadã da capital do Uruguai.
Comi e bebi bem por lá. 
Espero que o Uruguai continue em frente na sua trajetória de modernização e 'rejuvenização'. Precisa disso. No futuro, veremos se o sono do passado será de fato pretérito.
Mas espero, que nesse caminho para o futuro, não se percam a cordialidade, o papo amigo e demorado e os bons tragos!   
Vale conferir. Um brinde ao Uruguai!  

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Marketing^2

O livro é de 2007, mas continua válido. É um ótimo guia para quem quer implantar uma estratégia de marketing na web (campo no qual agora me aventuro nas horas vagas).
Além do bom conteúdo, o livro é em si uma peça de marketing (aliás... qualquer livro de business é, mas este vai mas longe). Ao longo do livro existem vários exemplos de 'casos hipotéticos' analisados pelo autor, nos quais situações reais (lançamento de um novo site, estratégia de comunicação etc.) de empresas 'não clientes' (naquela época) são comentadas. Estratégia bem sacada essa... uma visita ao 'verbete' Larry Weber na Wikipedia (ah... e a segunda edição deste livro é prefaciada pelo fundador da Wikipedia...) indica como clientes dele empresas que eram objeto dos 'casos hipotéticos' em 2007. Resumo (se as informações estiverem corretas): Weber escreveu um livro no qual comentava/analisava as estratégias/campanhas/abordagens de alguns importantes 'não clientes' em 2007, chamou a sua atenção e transformou-os em clientes. Brilhante exemplo de como fazer marketing! É um livro de marketing, que também faz marketing com maestria. É o 'marketing ao quadrado'!
Ganhei o livro de presente do próprio Larry Weber, em um dos primeiros Innovation Learning Labs Brasil-EUA, realizado em 2008 nos EUA. Aproveitando a dica do marketing (preciso aprender como promover o meu trabalho e turbinar a carreira), baixem aqui o relatório do segundo Brasil-US Innovation Summit, que organizei e resultou do processo iniciado com os Innovation Labs.
Recomendo ler... o livro e o relatório! Marketing feito!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Amazônia, o microcomputador, os cipós e o Brasil

Escrevo no meu computador, sobre a edição mais recente da PiauíEstava com saudades dos seus textos ácidos, debochados, bem escritos, com conteúdo, muitas vezes sobre histórias inusitadas.
Possuidora desse estilo, é a matéria sobre a última fábrica de máquinas de escrever mecânicas do mundo, que fechou há pouco as suas portas, uma unidade da empresa indiana Godrej & Boyce, que por sua vez é parte do conglomerado Godrej
Você conhece? Deveria, pois eles vem por aí... O Grupo  tem várias unidades de negócios, que incluem produtos químicos, eletrônicos, BKs, imóveis, higiene pessoal, computadores, serviços etc. Possuem uma unidade de cosméticos na Argentina. Se você tem um look com cabelo lambido a la porteño, talvez ele seja resultado de um spray indiano!
Brincadeiras a parte, duas outras matéria relevantes na Revista versam sobre temas que tem a Amazônia como parte da história. Duas matérias relativas a temas envoltos em cipoais...
A primeira é sobre a queda do Boeing da Gol em 2007, após colisão com um Legacy de uma companhia de aviação executiva dos EUA, sobre a Floresta Amazônica. Como de costume nessas situações, várias causas atuam ao mesmo tempo para gerar o sinistro; não há uma explicação simples (causa única). No caso específico, erraram os pilotos americanos, os controladores brasileiros e talvez outros. O caso foi apurado e a disputa agora se dá na Justiça.
O cipoal jurídico brasileiro (sempre cabe mais um recurso...) faz com que ainda não tenhamos um resultado final para o processo. Apesar dos avanços no Judiciário Brasileiro e do importante trabalho do Conselho Nacional de Justiça, precisamos mais, muito mais. A Justiça Brasileira é ainda muito lenta e o rito jurídico é antiquado, pouco transparente, moroso, ineficiente, hermético ao cidadão comum e falho para com a cidadania (idem para os processos de gestão associados). Precisamos abrir uma picada no cipoal, dar mais racionalidade, velocidade e transparência ao funcionamento do Judiciário. Esta é uma reforma institucional fundamental para o Brasil!
O segundo caso amazônico diz respeito às estimativas sobre sequestro e emissão de Carbono no Brasil. Avançamos no assunto e temos competência no País (vide o INPA e o caso relatado na matéria) para fazer mais; precisamos de mais. Mais precisão nas medidas, mais recursos dedicados ao tema, mais atenção, mais debate, mais ação. Agora... aparentemente, será difícil avançar a agenda de proteção ambiental (e econômica... alguém ainda não entendeu que a questão ambiental é econômica?) com a possibilidade de aprovação de um novo Código Florestal, que tramita no Congresso Nacional. Vale acompanhar o debate, conhecer os principais pontos, os argumentos contra e a favor do texto que foi aprovado na Câmara dos Deputados. É precio se emaranhar no cipoal para compreeender a questão.
Em tempo, eu sou contra o texto aprovado na Câmara!
Para descontrair: o Diário da Dilma está divertidíssimo. Vale ler e gargalhar.